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Mitt Romney é desavisadamente confrontado por um veterano do Vietnã que é Gay e legalmente casado

Mitt Romney, former governor of Massachusetts,...

Mitt Romney, former governor of Massachusetts, 2008 US presidential candidate. (Photo credit: Wikipedia)

Em dezembro de 2011, durante uma parada de campanha em New Hampshire, Mitt Romney decidiu se sentar para conversar com Bob Garon no café da manhã.

O que Romney não sabia é que Garon estava sentado com seu marido, com quem se casara poucos meses antes.

O que se seguiu pode ser descrito como a maior lição de cidadania que Romney já deve ter tido em toda a sua vida…… Enjoy (o vídeo está em inglês):

No original:

Mitt Romney Accidentally Confronts A Gay Veteran; Awesomeness Ensues

Back in December 2011 during a campaign stop in New Hampshire, Mitt Romney decided to drop by Vietnam War veteran Bob Garon’s breakfast table for a quick photo-op. What Romney didn’t realize is that Garon was sitting with his husband, whom he had married just a few months earlier.

What followed might be the single greatest “oblivious Romney” moment of the entire campaign. Enjoy.

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O velho Sul volta ao moderno Partido Republicano nos EUA

Nenhum outro partido deu um tal giro de 180º na história norteamericana. Fundado como partido do Norte antiescravagista e comprometido com a implicação do governo em incentivar a economia, o Partido Republicano, de Mitt Romney (foto), hoje é a negação dos republicanos de Abraham Lincoln. Aquecimento global? Evolução? Causas da homossexualidade? Como são feitas as crianças? Busque uma sólida conclusão científica e encontrará um importante número de republicanos – carregados de pseudociência e fé – que se opõe a ela.

O artigo é de Harold Meyerson.

Harold Meyerson (*)

Washington – Os candidatos republicanos podem fazer seus discursos desde Massachusetts e Wisconsin, mas Mitt Romney e Paul Ryan encabeçam o partido político norteamericano mais sulista desde os dias de Jefferson Davis (presidente da Confederação escravagista e separatista que provocou a guerra civil entre 1861 e 1865). Em sua hostilidade contra as minorias, a exploração do racismo, antipatia frente ao governo e suspeição sobre a ciência, o Partido Republicano de hoje representa as piores tradições dos pântanos mais frios e úmidos do Sul.

Nenhum outro partido deu um tal giro de 180º na história norteamericana. Fundado como partido do Norte antiescravagista e comprometido com a implicação profunda do governo em incentivar a economia (cessões de terrenos a universidades; a Homestead Act, lei de concessão de terras para seu cultivo, de 1862; a ferrovia transcontinental), o GOP (Grand Old Party, apelido habitual do Partido Republicano) de hoje é a negação dos republicanos de Abraham Lincoln. É quase inteiramente branco: cerca de 92% comparado a 58% entre os brancos. E é desproporcionalmente sulista: cerca de 49% dos republicanos vivem no sul, contra 39% dos democratas.

As crenças e valores do Sul branco dominam o pensamento republicano. Conforme diminui a parte branca da população norteamericana e aumenta o número de latinos, os republicanos aprovaram leis draconianas contra a imigração e se opuseram a uma legislação que permitia aos imigrantes que chegaram aos EUA quando crianças conseguir um status legal. Além disso, exploram os ressentimentos legais de um modo que não se via desde o anúncio de Willie Horton em 1988 [1]. Veja-se a campanha de comerciais de Romney que atacam falsamente o presidente Obama. “Com o plano de Obama, não seria preciso trabalhar nem se preparar para um emprego”, proclama um desses anúncios. “Simplesmente te mandam um cheque de assistência social”. O plano de Obama, como informaram os observadores dos meios informativos que comprovam os fatos, não supõe nada parecido.

O comercial tenta ressuscitar claramente o tipo de ressentimento dirigido contra os afroamericanos que o GOP explorava naqueles dias em que a assistência social representava um programa de envergadura. A campanha de Romney chegou evidentemente à conclusão, posto que toda sua base de eleitores potenciais é branca, de que deve motivar com esses recursos aqueles que entre eles votam às vezes, o que explica por que estão divulgando estes comerciais mais do que qualquer outro.

Na coluna anti-governamental, o orçamento desenhado por Ryan, que os republicanos da Câmara adotaram de modo entusiasmado, cortaria desproporcionalmente os impostos dos ricos e deixaria pela metade a parte de gasto correspondente a todos os programas internos que não são de ajuda social. Isso dizimaria a educação, o transporte, o financiamento de estudantes universitários e a pesquisa científica. Levaria o país aos níveis de desenvolvimento dos Estados do Sul de antigamente, contrários aos impostos e ao investimento público.

Os fantasmas de Dixie (nome popular do velho Sul) – do julgamento de Scopes (julgamento de um professor, em 1925, que ensinava a Teoria da Evolução no Tennessee) e da falta de financiamento da educação pública – aparecem também na premeditada resistência dos republicanos à ciência e, de modo mais amplo, ao simples empirismo. Aquecimento global? Evolução? Causas da homossexualidade? Como são feitas as crianças? Busque uma sólida conclusão científica e encontrará um importante número de republicanos – carregados de pseudociência e fé – que se opõe a ela.

O que é notável não é que um número significativo de republicanos albergue estas crenças, mas sim que elas tenham acabado dominando o partido. Os políticos veteranos do GOP mais pluralista que ainda existia até bem pouco tempo, entre eles Orrin Hatch e o próprio Romney, tiveram que renegar seu passado assim como os “apparatchik” comunistas durante a Revolução Cultural. Um empirista? Eu não, tio.

Mas como aconteceu que o Sul tenha chegado ao Norte, no Partido Republicano de hoje? O fato de que Barack Obama seja nosso primeiro presidente negro coincide com a transformação dos Estados Unidos de uma nação de maioria branca em um país multirracial que já não está destinado a manter sua hegemonia mundial. Acrescida por uma intratável recessão que tem suas raízes em uma crise do capitalismo, esta mudança de época convocou as sombras do ressentimento racial. Tanto quanto os republicanos possam pintar o governo como servidor desta América não branca em ascensão (precisamente o propósito dos anúncios de Romney), a antipatia do Sul em relação ao governo pode encontrar um público receptivo em outras regiões.

Essa transformação do Partido Republicano também foi estimulada pela “sulistização” da economia. O setor dominante da economia norteamericana já não é o da manufatura sindicalizada do Nordeste e Meio Oeste, entre cujos dirigentes se encontravam republicanos moderados como George Romney (pai de Mitt) e cujos empregados brancos de classes trabalhadoras persuadiam seus sindicatos para que apoiassem candidatos democratas. Pelo contrário, a economia está dominada por uma mistura de setores de baixa renda, pequeno comércio não sindicalizado e serviços, e pela alta finança, que se mostrou ferozmente opositora à regulação fiscal, disposta a proteger seus lucros no estrangeiro às custas dos trabalhadores norteamericanos e a investir pesadamente em um partido que defende esses interesses.

Esse partido é o que se reuniu em Tampa na semana passada. Atrás de toda essa retórica autojustificativa, resta um Partido Republicano cujo credo existencial é: “Somos velhos, somos brancos e queremos que nos devolvam nossa país”. O resto, como dizem os sábios, é conversa fiada.

[1] O anúncio em questão comparava a atitude sobre a delinquência dos dois candidatos às eleições presidenciais de 1988, George H. Bush (pai) e Michael Dukakis, apresentando desfavoravelmente a Dukakis, governador de Massachusetts, supostamente por conceder liberdade provisória, nos finais de semana a Willie Horton, condenado a prisão perpétua pelo assassinato de um menino durante um assalto.

(*) Harold Meyerson, colunista do The Washington Post e editor geral da revista The American Prospect.Vice-presidente do Comitê Político Nacional de “Democratic Socialists of America” e, segundo sua própria definição, “um dos dois socialistas que podem ser encontrados caminhando por Washington”.

Fonte: Carta Maior

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No Brasil, o ateísmo, nos EUA um muçulmano ou um mórmon?

 

Mitt Romney

 

 

No dia 29 de maio, Mitt Romney obteve o número necessário de delegados que, na convenção do fim de agosto, em Tampa (Flórida), lhe garantirão a nomeação como candidato republicano às eleições presidenciais de novembro. Romney obteve sucesso apesar do fato de ser mórmon, ou seja, de pertencer a uma religião profundamente em conflito com a base do Partido Republicano, branca e evangélica (composta por batistas, pentecostais, metodistas e muitos outros).

O mormonismo começou nos anos 1920, por obra de Joseph Smith, que afirmava ter tido visões divinas. O Livro de Mórmon que Smith dizia ter traduzido das tábuas de ouro que lhe foram mostradas por um anjo, revela que Deus, centenas de anos antes do nascimento de Cristo, levou uma tribo dispersa de Israel aos atuais Estados Unidos e que Jesus visitou esse povo depois da sua ressurreição.

Esse e outros textos canônicos formam a base de uma série de crenças em contraste com o cristianismo tradicional. Os fiéis rejeitam a fórmula do Credo sobre a Trindade, acreditam em uma revelação contínua de Cristo através dos profetas mórmons e negam que Deus tenha criado o mundo do nada.

Uma questão ainda mais controversa é a que se refere à poligamia, praticada pelos mórmons até o fim do século XIX, quando, depois que uma decisão da Suprema Corte proibiu o casamento com várias mulheres, os líderes da Igreja anunciaram ter recebido uma nova revelação que os chamava a abandonar a prática. É interessante notar que o bisavô de Romney se recusou a abandonar suas quatro esposas e seus 30 filhos e, em 1885, fugiu para o México. O pai de Romney nasceu no México e voltou para os EUA apenas aos cinco anos.

Em resumo, o mormonismo abraça muitas crenças que católicos e protestantes consideram esotéricas, na melhor das hipóteses, senão heréticas. Ao contrário dos fundamentalistas, que acreditam que a Bíblia é a única revelação autorizada de Deus, os mórmons acreditam que as revelações posteriores têm um status canônico igual. Diferentemente dos pentecostais, que acreditam que o Espírito Santo continua inspirando as curas através da oração ou o falar muitas línguas, os mórmons acreditam que a revelação é contínua, através da mediação das lideranças religiosas. Recentemente, diante dos protestos dos judeus, eles abandonaram a prática de celebrar o “batismo por procuração” daqueles que foram mortos no Holocausto. Caso único também é a crença dos mórmons no Jardim do Éden, localizado no Estado de Missouri.

Além de ter diferenças doutrinais, os mórmons e os evangélicos estão competindo em muitas partes do mundo na sua obra de proselitismo. Os primeiros encorajam os jovens a passar dois anos em atividade missionária – Romney, quando jovem, esteve na França –, e, segundo a Igreja mórmon, há cerca de 50 mil missionários ativos em todo o mundo.

Apesar disso, muitos evangélicos admitem que os mórmons tendem a viver de modo devoto, embora nos erros das suas doutrinas. Aos mórmons não é permitido fumar ou beber álcool, e eles também têm que se abster do café. Enfatizam muito a importância da família e se opõem ao aborto, exceto em casos de estupro, incesto ou para salvar a vida da mãe.

Além disso, a sua Igreja financiou o esforço para proibir os casamentos entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia. Assim, enquanto muitos pastores evangélicos consideram heréticas as convicções dos mórmons e se preocupam que uma presidência de Romney poderá dar legitimação a essa religião com a qual eles competem pelas conversões na África, Ásia e América Latina, no entanto, eles veem em Romney alguém que reflete melhor do que Obama os seus valores de ética sexual e social, especialmente depois que o atual presidente se manifestou em favor dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Durante as eleições primárias, Romney fracassou constantemente para conquistar os votos dos evangélicos brancos, dirigidos a outros candidatos. Em Estados como Tennessee, Carolina do Sul e Kansas, onde os evangélicos brancos eram a maioria dos eleitores, Romney foi derrotado. Mas depois de gastar milhões de dólares nas eleições primárias em campanhas contra os seus adversários, no fim, Romney saiu vencedor.

A pergunta em torno da sua campanha era se os seus péssimos resultados entre os evangélicos brancos seriam compensados pela hostilidade, senão pelo ódio, que estes mesmos eleitores têm contra Obama. Até agora, a resposta é positiva: os evangélicos brancos estão engolindo o sapo e estão se alinhando com a candidatura de Romney.

Uma pesquisa de maio passado realizada pelo PRRI (Public Religion Research Institute) mostrou que, entre os evangélicos brancos, Romney obteria 68% dos votos (Obama, 19%). Em comparação, entre os brancos pertencentes às Igrejas protestantes “históricas” (aqueles que não se identificam como “evangélicos”, como os episcopais e os presbiterianos), Obama superava Romney com 50% contra 37%. Obama superava Romney entre os católicos (46% contra 39%), mas entre os católicos brancos Romney levava a melhor com 48% contra 37%. De fato, são os católicos de origem latino-americana que apoiam Obama majoritariamente.

Ainda em maio, uma pesquisa da Brookings Institution, prestigioso think-tank de Washington, concluía que “os entrevistados em geral – e em particular os evangélicos brancos – são propensos a votar em Romney, independentemente do que sabem de sua religião”. Na verdade, aqueles que se identificam como eleitores de “ideias políticas conservadoras” são mais propensos a apoiar Romney depois de qualquer menção à sua fé, um resultado que provavelmente deriva da associação de Romney com o conservadorismo da Igreja mórmon.

Outro ponto de convergência entre Romney e os eleitores evangélicos é a visão sobre o excepcionalismo norte-americano. Em 1979, quando o Rev. Jerry Falwell formou a Maioria Moral para organizar os eleitores evangélicos e encorajá-los a entrar na política, ele disse que ser “pró-americano” era um elemento-chave da sua agenda. A ideia de que os EUA têm uma missão especial e providencial no mundo tem raízes profundas na história protestante dos EUA, e Falwell atualizava essa história para favorecer um chauvinismo extraordinariamente disposto a pressionar pelo emprego da força militar dos EUA no mundo como instrumento de difusão da democracia e do cristianismo.

Para os mórmons, esse chauvinismo é, se possível, ainda mais extremo. Joseph Smith não só acreditava que o Jardim do Éden estava localizado nos EUA e que lá ocorreria também a segunda vinda de Cristo, mas também acreditava que a Constituição norte-americana foi inspirada por Deus.

Ainda em 1969, o chefe da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (esse é o nome oficial dos mórmons) reafirmava desta forma essa convicção: “Nós acreditamos que a Constituição dos EUA foi inspirada divinamente, que foi redigida por ´homens sábios´ que Deus fez nascer para esse ´propósito específico´, que os princípios representados na Constituição são tão fundamentais e importantes que, se possível, deveriam ser estendidos para os direitos e a proteção de toda a humanidade”.

Mitt Romney, que foi missionário e depois também bispo mórmon, começou a adotar nos seus discursos os termos do excepcionalismo norte-americano, arrancando aplausos entusiasmados. Para um homem que mudou de opinião sobre uma série de questões, esse é um tema em que as suas convicções religiosas e políticas do seu partido coincidem perfeitamente, embora o excepcionalismo norte-americano tenha um história infeliz em terras estrangeiras.

O que quer que se possa esperar de uma presidência de Romney, certamente não faltará uma política externa mais enérgica e militarizada do que a buscada pelo presidente Obama.

Obama, o muçulmano

O presidente negro e o desafiante mórmon. O lado mais retraído dos EUA ainda suspeita que Barack Hussein Obama esconde a sua verdadeira fé muçulmana. Mas o lado mais tolerante dos EUA olha com desconfiança para aquele Mitt Romney que ostenta uma religião liquidada, muitas vezes vista como seita.

A questão é tão ardente que os adversários raramente aceitam falar sobre isso. Mas o fizeram para a Cathedral Age, a revista da Catedral Nacional de Washington, igreja-símbolo da unidade nacional, na primeira entrevista de uma série que irá apresentar reflexões sobre a fé nos EUA, a partir de proeminentes líderes do pensamento e indivíduos de diferentes origens ou perspectivas religiosas.

Se Dilma é considerada atéia ou agnóstica e o Lula frequenta terreiro espírita, a questão fundamental desse debate é, para além da liberdade religiosa, o limite entre fé e política. Se o diálogo entre fé e política pode ser muito salutar, o limite entre ambas, tênue e perigoso, quando ultrapassado, gera confusão e tem como consequência grave prejuízo à democracia e a propria liberdade religiosa. Ninguém quer ver um país sendo governado por bancadas evangélicas, católicas ou de qualquer outra religião. É claro que, tampouco, por bancada ruralista ou mensaleiros.

 

A reportagem é de Michael Sean Winters, publicada na revista Popoli, dos jesuítas italianos, Dom Total, 23-08-2012.

 

 

Fonte: domtotal

 

 

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