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Uruguai propõe estatizar produção e comércio de maconha para controlar o consumo

Pela proposta, ficam mantidos os termos de um decreto de 1974, que proíbe a venda de maconha sem a interferência do governo…

BRASÍLIA – O governo do presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, encaminhou na última quinta-feira (9) ao Congresso um projeto de lei para que o Estado passe a controlar e regulamentar a importação, produção, compra, comercialização e distribuição de maconha. O secretário adjunto da Presidência da República do Uruguai, Diego Cánepa, disse que o objetivo é reduzir o tráfico de drogas no país e controlar o consumo da erva.

Pela proposta, ficam mantidos os termos de um decreto de 1974, que proíbe a venda de maconha sem a interferência do governo. O novo texto estabelece que o Estado controla a importação, produção, compra, comercialização e distribuição da substância. Segundo o secretário, a expressão importação é aplicada apenas para as sementes da erva.

Integrantes do governo Mujica acreditam que, com o Estado no controle da produção e do comércio da maconha, não somente haverá a redução do tráfico como também deve diminuir a dependência do álcool, tabaco e drogas em geral.  “Não há dúvida de que o álcool e o tabaco são prejudiciais. Porém, não são proibidos, o que se faz são campanhas de conscientização para tentar reduzir os danos”, disse Cánepa.

O secretário disse que a proposta não é defender a maconha, mas estabelecer uma nova política pública de combate ao tráfico e controle do uso da erva.  “Ninguém está dizendo que a maconha é boa”, disse ele. “Acho que a decisão do presidente de ter a audácia ao dar esse passo permitirá ao governo promover um amplo debate.” Mais detalhes da proposta estão na página da Presidência da República do Uruguai.

O texto enviado ao Parlamento reúne análises de vários órgãos do governo e especialistas uruguaios e estrangeiros. O ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso é citado como um dos defensores da proposta apresentada pela Comissão Mundial sobre Políticas de Drogas. Também são mencionados o ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas Kofi Annan e o escritores  Mario Vargas Llosa e Carlos Fuentes.

A comissão observa a necessidade de se rever a política sobre drogas. “A pior coisa é cair em uma discussão com slogans, preconceitos, sem um debate claro e verdadeiro”, disse Cánepa.  “Há problemas com o abuso de álcool e alcoolismo em si, mas ninguém em sã consciência pensaria em proibir álcool. Vimos o que aconteceu com a proibição nos Estados Unidos, que foi uma grande derrota das políticas proibicionistas “, disse o secretário.

Fonte: http://www.dci.com.br/internacional/uruguai-propoe-estatizar-producao-e-comercio-de-maconha-para-controlar-o-consumo-id306902.html

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Vargas Llosa fala sobre a homofobia na América Latina

Mario Vargas Llosa at the Göteborg Book Fair 2011

Mario Vargas Llosa at the Göteborg Book Fair 2011 (Photo credit: Wikipedia)

Vargas Llosa fala sobre a homofobia na América Latina

O Prêmio Nobel de Literatura, Mario Vargas Llosa, criticou neste domingo a homofobia “profundamente enraizada” na América Latina, depois da morte do jovem Daniel Zamudio por neonazistas na madrugada do dia 3 de março, quando se encontrava nas imediações do Parque San Borja, no centro de Santiago, capital do Chile.

Que o sacrifício de Daniel Zamudio sirva para trazer à tona as condições trágicas de gays, lésbicas e transexuais nos países latino-americanos“, declarou o escritor peruano em sua coluna “Touchstone”, publicado no jornal espanhol “El Pais“.

Vargas Llosa considerou que a discriminação e o ódio das minorias sexuais são “profundamente enraizados na América Latina”, onde a comunidade gay está “sem exceção”, sujeita a zombaria, a repressão, a marginalização, perseguição, difamação e campanhas que, em geral, têm o apoio entusiástico de grande parte da opinião pública.

O escritor observou, ao longo artigo, que “mais fácil e hipócrita”, neste caso, é atribuir a morte de Zamudio apenas a “quatro demônios ladinos pobres que são chamados neonazistas.”

Na América Latina, “esta ideia de homossexualidade é ensinada nas escolas, é espalhada dentro de famílias, pregada nos púlpitos, veiculadas na mídia, aparece em discursos políticos, programas rádio, televisão e comédias teatrais.”, acrescentou.

O Prêmio Nobel fez uma chamada para “libertar a América Latina do sexismo e da homofobia inveterada.”

Ele observou que a homofobia na região inclui tanto a direita quanto à esquerda e deu o exemplo dos dois movimentos que lutaram contra o Estado comunista no Peru na década de 80, o “Sendero Luminoso” e o “Movimento Revolucionário Tupac Amaru”, que “executavam homossexuais sistematicamente nos territórios que ocupavam.”

Llosa lembrou que um relatório elaborado pelo “Movimento Homossexual de Lima”, entre 2006 e 2010, revelou que no Peru, 249 pessoas foram mortas por sua “orientação sexual e identidade de gênero.”

Ele disse que a pior coisa de ser lésbica, gay ou transexual em países como Peru, ou Chile, é a vida “cotidiana condenada a insegurança, o medo, a consciência constante de ser considerado (e vir a se sentir) uma aberração, um monstro.”

Isso porque, provavelmente, Vargas Llosa desconhece a situação lamentável dos cidadãos LGBTs no Brasil.

viaVargas Llosa fala sobre a homofobia na América Latina | Nossos Tons. (grifos meus)

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