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2 Histórias sobre “Cura Gay”: Pastor e Terapeuta que diziam curar gays são condenados por abuso sexual

A 1a História: 

Terapeuta que dizia curar gays é condenado por abusar sexualmente de homens (06/02/13)

Terapeuta que dizia curar gays é condenado por abusar sexualmente de homens

O médico-terapeuta Aubrey Levin, de 74 anos, que se dizia capaz de “curar” gays, foi condenado a cinco anos de prisão por ter molestado três homens no Canadá.

A decisão foi dada na semana passada pela juíza Donna Shelley, da Corte Superior do Canadá.

“Os pacientes vieram lhe pedir ajuda aos seus problemas. Em vez disso, você acrescentou mais problemas”, disse a juíza na sentença.

Ao todo, Levin recebeu nove acusações de homens por assédio sexual. Os crimes teriam acontecido entre 1999 e 2010. O júri o absolveu de duas e não conseguiu chegar a um veredicto sobre as outras quatro vítimas.

“Dr. Levin, sabendo das muitas vulnerabilidades dessas vítimas, empregou uma estratégia que lhe daria a oportunidade de abusar sexualmente de seus pacientes”, completou a juíza.

O terapeuta perdeu a sua licença em 2010, quando um ex-paciente levou imagens gravadas secretamente à Justiça. No vídeo, Levin abre as calças do paciente e começa a acariciar o seu órgão genital. O paciente disse que havia procurado as autoridades para relatar o caso, mas que ninguém acreditou na sua história, por isso, resolveu usar a câmera escondida.

fonte: A CAPA

A 2a História:

Pastor que fazia terapia para ‘cura gay’ é preso acusado de abusar sexualmente de dois homens (09/11/12)

Um pastor de Minnessota (EUA) foi preso e acusado de abusar sexualmente de dois homens durante sessões de ‘aconselhamento para se libertar de tendências homossexuais’.

O reverendo Ryan J. Muehlhauser, pastor de uma igreja em Cambrigde, Minnesota, responde a oito acusações criminais por abuso sexual de rapazes que passavam pela ‘terapia’ indicada pelo pastor. Ele pode pegar até dez anos de prisão por cada um dos crimes e pagar milhares de dólares em multas.

Muehlhauser foi preso em 4 de novembro, mas foi formalmente acusado dos crimes de abuso sexual nesta terça-feira (6) no tribunal do condado de Isanti, em Cambrigde, Minessota, segundo o jornal “Daily Mail”.

Nas sessões, o pastor da igreja cristã de Lakeside pedia para os rapazes se despirem e se masturbarem na sua frente. Em alguns casos, o pastor segurava o genital de seus clientes, dizendo que o contato era uma forma de ‘benção’.

Os abusos teriam ocorrido em datas diferentes, em um deles entre outubro de 2010 a outubro de 2012, e no outro cliente entre março e novembro deste ano.

Uma das vítimas disse a polícia que continuou as sessões mesmo depois do abuso porque acreditava se tratar de um aconselhamento espiritual.

Muehlhauser trabalhava como conselheiro em uma organização que há 30 anos  ‘aconselha homens e mulheres a fazer decisões para romper com a vida homossexual’. A igreja a qual era ligado, no entanto, divulgou nota contraria à prática.

“Como uma igreja, nós estamos profundamente tristes pela notícia de que comportamentos certamente inapropriados foram realizados durante sessões de aconselhamento por um dos nossos pastores, Ryan Muehlhauser”.

Muehlhauser atuou como pastor na igreja de Minnesota por 22 anos. Ele é casado e tem dois filhos.

fonte: UOL

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TRF 2ª Região decide favoravelmente à Resolução do CFP nº 001/99

Cristo Redentor do Rio de Janeiro

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio de Janeiro) indeferiu pedido do Ministério Público Federal para antecipar os efeitos de anulação parcial da Resolução CFP nº 001/99. Com a decisão, o TRF-RJ se mostrou, mais uma vez, favorável à legalidade dos termos da norma do CFP. Em decisão do dia 23 de julho de 2012, do desembargador relator Reis Friede, o TRF-RJ manteve decisão da 5ª Vara Federal, que já havia negado a suspensão antecipada de parte da Resolução CFP 001/99. Dessa forma, a Resolução CFP nº 001/99, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual, permanece vigente.

Histórico

O MPF propôs ação civil pública, no dia 1º de dezembro de 2012, sob a alegação de que o CFP exorbitou do poder regulamentar, violando inúmeros princípios e regras constitucionais, como o da legalidade, o direito fundamental ao livre exercício profissional, o princípio da dignidade da pessoa humana e a liberdade de manifestação do pensamento, dentre outros. O pedido de antecipação dos efeitos de anulação foi feito pelo MPF, pois entendeu que a Resolução causa dano para os psicólogos – que estariam impedidos de exercer a profissão livremente -, e para os homossexuais que voluntariamente procuram auxílio psicológico para se afirmar como heterossexuais, por estarem insatisfeitos com sua orientação.

É equivocada qualquer afirmação de que os psicólogos estão proibidos de atenderem homossexuais que busquem seus serviços, sob qualquer demanda de atendimento. A Resolução impede os psicólogos de colaborarem com eventos ou serviços que proponham tratamentos e cura da homossexualidade, seguindo as normas da Organização Mundial de Saúde.

Ademais, a Lei nº 5.766/71, que cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Psicologia, atribui ao CFP a função de normatização e de regulação da atividade profissional. O art. 49 da Constituição Federal autoriza o Poder Legislativo a sustar os atos normativos do Poder Executivo. Ocorre que os Conselhos Profissionais não integram o Poder Executivo. O Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão sobre o assunto entendendo que os conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas não estão sujeitos à tutela da Administração.

via: TRF 2ª Região decide favoravelmente à Resolução do CFP nº 001/99.

Ver também:

. Um Congresso que Debate Cura de Gays

. Exodus Internacional anuncia ter desistido da ‘cura’ de gay

.  Ação do MPF contra CFP está pra sentença desde 17 de maio

.  Ação quer garantir “cura” de homossexuais

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Um Congresso que debate “cura para gays”: Mais um capítulo da teocracia brasileira – Idelber Avelar

Procurei bastante por aí, mas não encontrei. Até onde pude averiguar, não há precedente moderno, em nação democrática, de um Congresso Nacional prestando-se ao ridículo papel de discutir “cura para homossexuais”. Você encontrará, claro, deputados individuais dando declarações que sugerem “cura para gays”, como é o caso do homofóbico costarriquenho Juan Orozco. Mas não consegui achar, em casa legislativa de país democrático, um vexame comparável ao que se prestou a Câmara dos Deputados brasileira nesta quinta-feira. A Câmara se reuniu para um “debate”, uma audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família, acerca de um pedaço de lixo, em forma de Projeto de Decreto Legislativo, de  João Campos, evangélico tucano de Goiás. O projeto se arroga o direito de sustar uma resolução do Conselho Federal de Psicologia que, com muito atraso, em 1999, definiu que os profissionais da área não patologizarão práticas homoeróticas e não colaborarão com serviços e eventos que proponham tratamento e cura da homossexualidade. Como notou Antonio Luiz Costa, da Carta Capital, mais esdrúxulo ainda é que o pseudo-debate, pasmem, foi convocado por um deputado do Partido Verde.


O estado de exceção em que vivemos se converteu em regra a tal ponto que uma monstruosidade dessas é discutida como se se tratasse de um debate razoável, com duas ou mais posições em comparável condição de reivindicar a razão ou a verdade. O fato é noticiado como se não fosse absurdo. Votações online colocam as opções como se se tratasse de uma escolha entre termos simétricos, e não a justaposição entre uma posição consensualmente científica e um delírio de psicopatas fundamentalistas. No mundo realmente existente, claro, não há qualquer discussão, em nenhuma disciplina séria, sobre se a homossexualidade é ou não é doença, desvio, aberração ou anormalidade a ser curada. Num país em que se assassina um gay ou lésbica (ou cidadã[o] confundido[a] com gay ou lésbica) a cada 36 horas – lembrando sempre que esses números são brutalmente sub-reportados –, aceitar um “debate” nesses termos já é, por definição, sujar as mãos de sangue.

É evidente que, no interior de uma sociedade homofóbica, a violência real e simbólica perpetrada contra gays e lésbicas produzirá sofrimento que, em maior ou menor grau, poderá ter consequências que se encaixam entre as tipicamente tratadas num consultório de psicólogo, psicanalista ou terapeuta. Também é evidente que, nesses casos, o que será tratado ou “curado” – e há toda uma discussão sobre o que essa palavra pode significar, seu clássico sendo o Análise Terminável e Interminável, de Freud – não será, jamais, o desejo, a afetividade ou a prática homoerótica em si, e sim a condição produzida no sujeito, seja lá ela qual for, a partir da violência homofóbica. A Resolução de 1999 do Conselho Federal de Psicologia simplesmente estabelece, como parâmetro ético inegociável para o exercício da profissão, o reconhecimento desse fato, em conformidade com resolução análoga da Organização Panamericana de Saúde. [ver também a Resolução da OPS]

Há que se atentar que a iniciativa homofóbica dos Deputados João Campos (PSDB-GO) e Roberto de Lucena (PV-SP) vem, toda ela, embrulhada no discurso da liberdade de expressão.  “Deixa a pessoa ter o direito de ser tratada”, diz a pseudo-psicóloga homofóbica Marisa Lobo, estrela do “debate” e convidada de Gleisi Hoffmann a eventos oficiais no Palácio do Planalto (enquanto a tropa de choque governista nas redes sociais inventa cada vez mais malabarismos para dizer que o governo não tem responsabilidade no surto de assassinatos homofóbicos). A baliza ética expressa na resolução do CFP e universalmente aceita entre profissionais de todas as psicoterapias – a saber, a de que homossexualidade não é doença a ser “tratada” – é apresentada por João Campos nos seguintes termos: “É como se o Conselho Federal de Psicologia considerasse o homossexual um ser menor, incapaz de autodeterminação”. No mundo realmente existente, claro, é o jovem gay de 15 anos de idade, e não a corja fundamentalista, que é morto a pauladas na rua. Mas os nossos Deputados acham que é o seu ódio que ainda está sendo cerceado em seu direito de expressão.

via: Um Congresso que debate “cura para gays”: Mais um capítulo da teocracia brasileira – Idelber Avelar (adptado)

Vale a pena ver a manifestação do Dep. Jean Wyllys na audiência

E a fala da Dep. Jandira Fechgali

Ler também o texto: “A cura gay”, do Contardo Calligaris, para a Folha: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/contardocalligaris/1115030-a-cura-gay.shtml

E: “Cura Gay”: O Brasil remando contra a maré

Ver também: Organização Pan-americana de Saúde condena terapias de cura gayhttp://new.paho.org/hq/index.php?option=com_content&view=article&id=6803&Itemid=1926&lang=es

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