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Obama: Religião e Secularismo

 

Trecho de discurso de Barack Obama referindo-se à religião e ao secularismo: “A democracia exige que aqueles que são motivados pela religião traduzam suas preocupações em valores universais e influenciáveis pela razão.”
Sensacional.

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Eleições “livres” nos EUA: se você não é o 1% + rico, você é descartável. E idiota

 

USA Flag

 

“A posição política dos dois partidos americanos é clara: se você não é o 1%, você é descartável. E idiota”

 

Um artigo de Paul Craig Roberts aborda as eleições americanas deste ano com uma ironia devastadora, a começar pela provocação do título. Diz ele que se as convenções de partidos nos EUA valessem nota de 1 a 10 por inteligência e sensibilidade, daria zero à republicana e 1 à dos democratas:cruzescomo os EUA podem ser “a única superpotência mundial”, se os dois principais partidos políticos ignoram completamente o que acontece em casa e no mundo?

Os republicanos esperam vencer impulsionados por quatro anos de propaganda anti-Obama e suas máquinas de votar eletronicamente programadas e jamais fiscalizadas. Ininterruptamente, durante quatro anos, agentes dos republicanos inundaram a internet com retratos de Obama em que ele foi representado como “‘cidadão estrangeiro”, não norte-americano; como muçulmano (apesar de Obama ter passado quatro anos matando muçulmanos em sete países do planeta!) e como marxista (apesar de guindado ao poder pelolobby israelense, Wall Street e o complexo militar de segurança!).

O pior é que a maioria dos republicanos votará contra Obama baseados nessas sandices, apesar do estranho fato de que nenhuma comissão da Câmara de Deputados (controlada pelos republicanos, diga-se) jamais ter realizado investigação alguma sobre o estranhíssimo fato de os EUA continuarem a ser governados por um estrangeiro, muçulmano e marxista (além de negro)!

Se Obama não é cidadão dos EUA, por que os cães de guerra da agressiva Câmara de Deputados republicana não capitalizam o fato que tanto “noticiaram”? Nada mais fácil que uma Comissão Parlamentar de Inquérito investigar e determinar se o presidente, afinal, é ou não cidadão dos EUA! O fato é que, apesar da propaganda, os republicanos nada fizeram para capitalizar as loucuras espalhadas pela Internet por seus próprios agentes.

Ou os republicanos sabem que disseminam mentiras, ou não querem que o próprio Congresso declare que Obama é cidadão dos EUA, ou os republicanos, depois de destruir até a última linha a Constituição dos EUA, reduzindo-a a estilhaços de papel, sentem que inventar discussões sobre o pouco que resta da Constituição seria hipocrisia demais – uma apoteose da hipocrisia, e esta sim, indisfarçável – uma vez que não desejam que se discutam questões constitucionais e se descubra que, há muito tempo, os republicanos tratam a Constituição como letra morta.

Senão, vejamos: se os republicanos já destruíram o habeas corpus, o devido processo legal, violaram sistematicamente a leis, sejam nacionais e internacionais, ignoraram a independência entre os Poderes e criaram um Cesar imperial, por que os democratas se importariam que os EUA fossem governados por um cidadão não-americano, muçulmano e marxista (além de negro)?

Por que os republicanos não levantaram (na Convenção Nacional) a questão de, no governo Obama, o Executivo continuar mandando assassinar cidadãos norte-americanos, sem qualquer processo legal de julgamento? Não há uma linha, na Constituição dos EUA, nem na lei ordinária que autorize esse tipo de crime. Só na não-lei do estado policial de Gestapo, a que está reduzido o governo dos EUA, o presidente pode ordenar assassinatos premeditados. Mas a respeito os republicanos mantiveram silêncio absoluto. Porque essa é a parte do governo dos democratas que os republicanos apoiam e aprovam. Afinal, quem inventou tudo isso foi o presidente Bush, outro republicano, e eles têm que ser “coerentes”, certo?

Por que os democratas não discutiram, na Convenção Nacional, a questão de governos republicanos terem levado os EUA a mais de uma guerra, unicamente baseados em boatos decorrentes do 11/9, sem nunca terem investigado efetivamente os eventos do 11/9?

Não há nos EUA um único arquiteto sério, um único engenheiro estrutural competente, um único físico, um único químico, um único especialista sério em segurança nacional que tenha engolido sequer uma linha da história oficial que o governo dos EUA divulga sobre o 11/9. Até os primeiros a chegar ao local do desmoronamento, nem as testemunhas nem os sobreviventes, tampouco acreditam numa palavra sequer dessa história. No entanto, a maioria dos especialistas fica em silêncio, porque senão desaparecem as verbas de pesquisa nas universidades nas quais têm de trabalhar para viver, ou somem os projetos de arquitetura e engenharia nos seus escritórios, boicotados por ex-clientes e excelsos patriotas. Contudo, apesar de todos esses riscos, 1.700 arquitetos e engenheiros norte-americanos encaminharam documentação ao Congresso, em que demonstram por que não acreditam numa linha da explicação oficial sobre o 11/9, exigindo uma investigação que vise revelar a verdade e não “comprovar” mentiras.

Por que nenhum dos dois partidos levantou (nas respectivas convenções nacionais) a questão de como é possível que alguém ainda espere que a economia dos EUA entre em processo de recuperação, se as grandes empresas já exportaram, para sempre, milhões de empregos da classe média, sejam trabalhadores não qualificados, sejam qualificados, além de prestadores de serviços. Já faz uma década que a economia norte-americana só tem fôlego para criar subempregos, nenhum deles exportável, tipo tarefas domésticas, atendente de balcão, garçonetes, faxineiros hospitalares, etc.

Sobre empregos, os dois partidos só repetem o mais completo nonsense. Os republicanos dizem que só criará empregos quem cortar impostos dos ricos, e os Democratas afirmam que só criará empregos quem subsidiar programas de empregos. Os Republicanos dizem que os programas de empregos dos Democratas só fazem desviar dinheiro de investimentos lucrativos para enriquecer traficantes de drogas e donos de bares. Os Democratas argumentam que os impostos baixos para os mais ricos só fazem subsidiar iates, carros exóticos, aviões particulares e relógios de 800 mil dólares para o 1% – sendo que a maioria desses bens é produzida no exterior.

Nenhum dos dois partidos políticos jamais admitirá que, quando as empresas norte-americanas transferem suas fábricas para o exterior a fim de produzir produtos para o próprio mercado dos EUA, os americanos são segregados, exilados de toda a renda associada à produção dos bens e serviços que consomem. A exportação das fábricas e dos empregos é defendida por esses dois patéticos partidos políticos, a pretexto de estarem aplicando a ideologia do “livre comércio”. Ou o mantra neoliberal. Ou ambos, a cartilha rezada pelo 1% dos ricos da humanidade esquizóide.

De fato, a exportação de fábricas e empregos é uma espécie de “doação” do que um dia foi o PIB dos EUA, à China, à Índia e a outros países nos quais as empresas norte-americanas instalam suas fábricas, enquanto o PIB dos EUA escoa pelo ralo, engorda o PIB dos outros países que produzem os produtos que as empresas norte-americanas vendem a norte-americanos endividados. E economistas idiotas chamam de “livre comércio” o que qualquer um vê que é a “desindustrialização dos EUA”.

Qualquer economista inteligente – o que é um oximoro – sabe que destruir a renda dos consumidores, arrancando-lhes os empregos para exportá-los para outros países, deixa tais consumidores sem renda para comprar, sequer, os produtos cuja produção foi exportada.

Mas, nem a republicanos nem a democratas interessa admitir tal “desconexão”. Nem republicanos nem democratas podem expor-se a este risco, porque todos dependem do dinheiro das mesmas mega empresas para pagar as respectivas campanhas eleitorais. Além do mais, exportar fábricas e empregos para terras distantes faz explodir os lucros das empresas e, consequentemente, o valor das ações, os dividendos distribuídos entre os acionistas e os bônus a pagar aos gerentes e executivos.

Em síntese, por mais absurda que seja: partido político que se oponha a exportação de fábricas e empregos dos eleitores nos EUA não arranja dinheiro para campanha eleitoral, ergo não consegue ser eleito.

Assim, afinal, se cria um quadro ‘eleitoral’ no qual a “única superpotência mundial”, a “nação indispensável”, a “senhora da hegemonia mundial” está caminhando para eleições nas quaisnenhum eleitor consegue entender o que realmente está em jogo nas tais “eleições justas, livres e democráticas”.

Por que nenhum dos dois partidos perguntou: se Washington demonizou, garantindo que “isolou” totalmente o Irã, porque, semana retrasada, haviam 120 países reunidos em Teerã, na reunião do Movimento dos Não Alinhados? A propaganda de Washington está falhando? Washington já não consegue convencer o mundo de que países que Washington deseja destruir são “o mal” e merecem ser destruídos?

Mas se a propaganda de Washington começa a fazer água, também começa a fracassar seu poder hegemônico. Se Washington planeja aliar-se à mais atrasada ideologia neoconservadora para tentar manter-se como potência hegemônica, então Washington também está fracassando. E já não existe a tal “única superpotência” que os EUA ainda fingem ser.

Especialistas em política externa (nenhum deles contratado por qualquer dos dois grandes partidos norte-americanos) já perceberam que Washington há muito trocou o “soft power” pelas mais descaradas mentiras e os mais injustificados ataques militares contra sete países muçulmanos, o “plano” de cercar a Rússia com bases de lançamento de mísseis, além de cercar a China com bases aéreas, navais, quartéis e marines.

Em outras palavras: se já nem Washington acredita na força moral de Washington, resta a força financeira e a militar – aliás, forças insuficientes (posto que advindas da mentira e da coerção) e, a longo prazo, condenadas ao fracasso.

Nem republicanos nem democratas perguntam por que os EUA estão em guerra contra os muçulmanos, ao lado de Israel. Por que norte-americanos são mandados à guerra, perdem braços, pernas, a própria vida, e os EUA empobrecem porque o déficit de guerra já é impagável, o que significa que o povo norte-americano compromete o futuro dos próprios filhos e netos por… Israel?!

Vote em quem votar, seja qual for o partido ou o candidato votado, quem votar nos EUA em novembro estará votando a favor de Israel. E do autodescarte.

A saída dos dois partidos é botar a culpa pela bancarrota nacional no pouco que Washington faz pelos norte-americanos mais pobres. A bancarrota dos EUA é culpa da Seguridade Social, do Medicare, dos bônus de alimentação, dos subsídios à moradia, das bolsas de estudo – de qualquer coisa e de tudo que ajude mais os cidadãos que o 1%.

Em resumo, a posição política dos dois partidos é clara: se você não é o 1%, você é descartável. E idiota.

 

 

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Folha de SP substituiu na edição de Minas a foto de Lula-Patrus por duas, de Clint Eastwood e Obama.

FOLHA ABDUZ  LULA EM MINAS

Como diz o Lula, a Folha mente
Sugestão da blogueira suja Maria Frô:

 

FOLHICE: FOLHA ESCONDE LULA AO LADO DE PATRUS NA VERSÃO MINEIRA DO JORNAL

 

Por: Leonardo Severo, no blog Pensatempo

Mesmo sem querer, a Folha de S.Paulo do último sábado abriu o mês de setembro dando uma inigualável contribuição ao debate sobre a relação liberdade de imprensa e de expressão, estampando a imperiosa necessidade da democratização dos meios de comunicação.

Ao omitir da capa para os (e)leitores de Minas Gerais a foto do presidente Lula ao lado de Patrus Ananias, candidato a prefeito de Belo Horizonte pelo PT, o jornal da tucanalha paulista dá sequência às suas inconsequências e incontinências.

Para os demais estados, a foto do ex-presidente soltando o verbo caia bem, era notícia que se vende sem maiores contraindicações, já que não impacta diretamente as urnas do aliado alado. Para o povo das Alterosas, a bicada é mais embaixo.

A bem da verdade, conforme denunciou o secretário de Formação da Central Única dos Trabalhadores, José Celestino Lourenço (Tino), que adquiriu no aeroporto as duas edições, a Folha que chegou a Minas Gerais também omitia o texto sobre a participação de Lula e não fazia – obviamente – qualquer referência à candidatura contrária aos interesses do tucanato mineiro.

Assim, livre para voar e invisibilizar, a Folha substituiu na edição de Minas a foto vertical de Lula-Patrus por duas horizontais: de Clint Eastwood com uma cadeira vazia e outra de Obama de costas.

Não é de hoje a reflexão – e a denúncia – de como funciona o balcão de negociatas em que se converteu a distribuição de publicidades oficiais para garantir que as neves reacionárias e cambaleantes sejam degeladas em outras terras. É sempre bom ver para crer. Reforça a compreensão da necessidade do processo de depenagem, agora, das aves de mau agouro. E o compromisso de virarmos a página.

 

Fonte: Conversa Afiada

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Why Did Roberts Change His Mind? by Ronald Dworkin

Why Did Roberts Change His Mind?

Ronald Dworkin

US Supreme Court Chief Justice John Roberts, July 13, 2006

Above all, we should celebrate. The Supreme Court, by a 5-4 vote, has left President Obama’s Affordable Health Care Act almost entirely intact. So the United States has finally satisfied a fundamental requirement of political decency that every other mature democracy has met long ago, and that a string of Democratic presidents, from FDR to Bill Clinton, tried and failed to secure for us. We finally have a scheme for national health care provision that protects every citizen who wants to be protected.

The Affordable Care Act does not change America’s tradition of using private health insurance as the basic vehicle for financing medical care. The system it creates is therefore less efficient and rational than a single-payer system like Great Britain’s in which the national government employs doctors and hospitals and makes them available to everyone. But a single-payer approach is politically impossible now, and the Act erases the major injustices that disgraced American medicine in the past. Private insurers are now regulated so that, for example, they cannot deny insurance or charge higher premiums for people who are already sick. The Act subsidizes private insurance for those too poor to afford it, and extends the national Medicaid program so that it can provide care for all of the very poor.

But it is nevertheless depressing that the Court’s decision to uphold the Act was actually a great surprise. Just before the decision the betting public assumed, by more than three to one, that the Court would declare the Act unconstitutional. They could not have formed that expectation by reflecting on constitutional law; the great majority of academic constitutional lawyers were agreed that the Act is plainly constitutional. People were expecting the Act’s defeat only because they had grown used to the five conservative justices ignoring argument and overruling precedent to remake the Constitution to fit their far-right template.

It was Chief Justice Roberts, who had never voted with the liberals in a 5-4 decision before, who provided the decisive vote for upholding the Act. He said that the Act should be construed as a tax, and therefore valid because Congress has an undoubted power to “lay and collect taxes.” In an article for the next issue of The New York Review, I will describe and criticize his arguments and those of the other justices. Here, I will concentrate on why the Chief Justice voted as he did. There is persuasive internal evidence in the various opinions the justices filed that he intended to vote with the other conservatives to strike the Act down and changed his mind only at the very last minute. Commentators on all sides have speculated furiously about why he did so. One popular opinion among conservative talk-show hosts suggests that Roberts has been a closet liberal all along; another that he has suffered a mental decline [meu comentário: afirmações como essas, dos conservadores americanos, só mostram q eles têm problemas mentais sérios].

Almost no one seems willing to accept Roberts’ own explanation: that unelected judges should be extremely reluctant to overrule an elected legislature’s decision. His own judicial history thoroughly contradicts that explanation. In case after case he has voted, over the dissenting votes of the liberal justices, to overrule state or congressional legislation, as well as past settled Supreme Court precedents, to reach a result the right-wing in American politics favored. Consider his vote in the regrettable 2010 Citizens United case, which overruled a variety of statutes to declare that corporations have the free-speech rights of people, and therefore have the right to buy unlimited television time to defeat legislators who do not behave as they wish. The majority’s opinion in that case insisted that such corporate expenditures would not create even the appearance of corruption.

This year the State of Montana pleaded with the Court to reconsider its judgment in Citizens United: the State said that the amount and evident political impact of corporate electioneering in the two years since had conclusively demonstrated a risk of corruption. Roberts and the other conservatives did not bother even to explain why they would not listen to evidence for that claim; they just declared, in an unsigned opinion, over the protests of the liberal justices, that they would not.

It is therefore hard to credit that, only a short time after that contemptuous refusal, Roberts has been converted to a policy of extreme judicial modesty. Most commentators seem to have settled on a different explanation. Recent polls have shown that the American public has become increasingly convinced, by the drum-roll of 5-4 decisions reflecting a consistent ideological split, that the Supreme Court is not really a court of law but just another political institution to be accorded no more respect than other such institutions. Roberts, as Chief Justice, must feel threatened by this phenomenon; the Chief Justice is meant to be a judicial statesman as well as a judge, and it is part of his responsibility to maintain public respect for the Court for being above politics. Perhaps he thought it wise, all things considered, to take the occasion of an extraordinarily publicized case to strike a posture of judicial reticence by deciding contrary to his own evident political convictions.

He might have been particularly inclined to do so in view of the large number of politically charged cases scheduled for hearing next year, beginning in October, a month before the presidential election. The Court will have the opportunity to overrule its 2003 decision allowing state universities to take an admission candidate’s race into account, as one consideration among others, in seeking a diverse student body. The conservative justices might wish to abolish affirmative action altogether, or to impose more stringent restrictions on it.

They will also have the opportunity to reverse lower courts by upholding Congress’s Defense of Marriage Act, which forbids federal agencies to treat gay marriages as real, for example by allowing a gay couple to file a joint income tax return. The Court will be asked to strike down an important part of the Civil Rights Act of 1965, which requires states with a particularly bad voting rights record to seek federal permission for new changes in their election laws. Moreover, it may soon find a chance further to constrict or even to abolish abortion rights.

Roberts may want to blunt the anticipated accusations of political partisanship that any right-wing decisions in these cases will likely attract by supporting Obama’s heath care program now. If so, he will have been immeasurably helped by his new enemies in the right-wing media who are painting him as a secret liberal, or as a turncoat villain with a deteriorating mind.


*This is the first of two posts on the Supreme Court’s surprising 2011-2012 term. Tomorrow: David Cole on why liberals are having trouble celebrating their Supreme Court victories.*

July 9, 2012, 2:05 p.m.

in: Why Did Roberts Change His Mind? by Ronald Dworkin | NYRblog | The New York Review of Books.

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Suprema Corte dos EUA enfrenta momento de discórdias pessoais

Suprema Corte dos EUA enfrenta momento de discórdias

Por João Ozorio de Melo

A Suprema Corte dos Estados Unidos vive uma crise, com raízes na divisão política do país entre conservadores (Republicanos) e liberais (Democratas), que é retratada com preocupação pela imprensa do país. “A discórdia está instalada de forma profunda e pessoal na Suprema Corte dos Estados Unidos”, declarou a CBS News em reportagem deste domingo (8/7). “É uma discórdia que vai afetar essa corte por um longo tempo e ninguém tem ideia de quando será resolvida”, diz a reportagem.

A “ira dos conservadores”, assim definida pelo jornal Los Angeles Times, tem origem no fato de que algumas decisões importantes nos últimos 12 meses não se alinharam à constituição da Corte, de maioria conservadora. Em algumas decisões, um ministro ou outro se alinhou com o outro lado da bancada, por optar por uma decisão essencialmente jurídica. Com isso, esses ministros produziram “algumas surpresas desagradáveis” para os conservadores, segundo o Los Angeles Times.

A Suprema Corte dos EUA tem nove ministros — cinco conservadores e quatro liberais. Na ala conservadora estão o presidente da Corte, John Roberts (indicado por George Bush) e os ministros Antonin Scalia (indicado por Ronald Reagan), Anthony Kennedy (Ronald Reagan), Clarence Thomas (George Bush) e Samuel Alito (George Bush). Na ala liberal, estão o ministro Stephen Breyer (indicado por Bill Clinton) e as ministras Ruth Bader Ginsburg (Bill Clinton), Sonia Sotomayor (Barack Obama) e Elena Kagan (Barack Obama).

Nos últimos tempos, o ministro conservador Anthony Kennedy assumiu a posição de fiel da balança da Suprema Corte, se alinhando com os conservadores ou com os liberais de acordo com suas convicções jurídicas, em cada um dos casos. O ministro conservador Samuel Alito votou uma vez com os liberais e a ministra liberal Sonia Sotomayor se alinhou uma vez com os conservadores. Mas a pedra no sapato dos conservadores sempre foi Anthony Kennedy.

Mas, na votação mais politizada deste ano, destinada a manter ou derrubar a nova lei de seguro-saúde do país, conhecida como Obamacare (porque foi um projeto de lei proposto pelo presidente Obama), o ministro Kennedy se declarou, desde o início, que iria votar contra a lei. E os Republicanos consideram a extinção completa da Obamacare como favas contadas. Mas aconteceu, então, o inesperado: o presidente da Corte, John Roberts, deu uma guinada de última hora em todo o processo e se juntou à “coalizão liberal” para manter a lei que obriga todos os americanos a adquirir seguro-saúde e, com isso, gerar fundos para revitalizar o moribundo Medicaid — o serviço de previdência social para os americanos que vivem abaixo do nível de pobreza.

Foi a gota d’água que instalou a discórdia na Corte e a indignação dos conservadores do país. “Os conservadores sentiram um cheiro de traição”, diz a CBS. “Eles acham que Roberts mudou de ideia por razões erradas”, relata a reportagem. Se Roberts tivesse ficado do lado dos liberais desde o início, o resultado final teria sido mais palatável. Mas o fato de ele haver mudado de posição quase em cima da hora deixou os conservadores furiosos, diz a CBS. Curiosamente, ele tentou arduamente convencer o ministro Kennedy a também se alinhar com os liberais, para manter a lei, mas não conseguiu. Mas, enfim, Roberts deu o voto decisivo em uma questão polêmica perante a Corte que ele preside desde 2005.

Furos nas coalizões
Três dias antes de votarem a Obamacare, John Roberts e Anthony Kennedy, com o apoio de três ministros liberais, derrubaram alguns aspectos mais polêmicos da lei do Arizona que, segundo os críticos, legaliza a perseguição a imigrantes ilegais. A ministra liberal Elena Kagan se declarou impedida porque ela trabalhou nessa área, quando fazia parte do governo Obama. A Suprema Corte considerou que, em alguns pontos, o Arizona legislou em áreas que eram de competência exclusiva do governo federal. Resultado da votação: 5 a 3 para os liberais.

Em um voto que se tornou notável, segundo o Los Angeles Times, o ministro conservador Samuel Alito se juntou aos quatro liberais da corte, declarando que os americanos tinham direito à proteção constitucional de não ter seus movimentos rastreados por qualquer autoridade policial através de seus telefones celulares, GPS e outros dispositivos eletrônicos. A Constituição dos EUA protege os cidadãos contra busca e apreensões consideradas “não razoáveis” e sem mandado, mas o governo defendia a tese de que essa proteção não se estende às ruas e calçadas públicas. Resultado da votação: 5 a 4.

Com a ajuda do conservador Anthony Kennedy, os ministros liberais garantiram aos réus novos direitos nos acordos de plea bargain (confissão de culpa para evitar o julgamento, em troca de uma pena menor). Cerca de 95% dos casos criminais jamais chegam ao Tribunal do Júri. Terminam em acordo proposto pelo promotor e aceito pelo réu, com a assistência de seu advogado de defesa. No entanto, segundo os votos vencedores, muitos réus perdem a oportunidade de fazer um acordo e pegam sentenças muito altas, porque lhes faltaram uma assistência jurídica competente — algumas vezes, por um erro grave do advogado de defesa. Assim, os réus prejudicados podem pedir a revisão de seu caso em um tribunal. Resultado da votação: 5 a 4.

Kennedy também foi decisivo quando a Suprema Corte declarou a inconstitucionalidade das leis estaduais (e também de uma lei federal) que obrigava os juízes a aplicar automaticamente a sentença de prisão perpétua a crianças (algumas delas na faixa de 11 a 14 anos) e adolescentes, uma vez que fossem consideradas culpadas pelo tribunal do júri por qualquer crime que envolvesse morte da vítima. Os juízes sequer tinham a possibilidade de levar em consideração circunstâncias atenuantes, como idade do réu ou sua efetiva participação no crime. Muitas crianças foram sentenciadas a prisão perpétua, sem terem cometido crime de assassinato, porque foram consideradas culpadas por estarem envolvidas, por exemplo, com um crime de assalto. A decisão não vai livrar os condenados da prisão, automaticamente, mas mais de 2 mil casos serão revistos. Resultado da votação: 5 a 4.

Com a ajuda da ministra Sonia Sotomayor, que se alinha com a minoria liberal, porque foi indicada pelo presidente Obama, mas que têm tendências conservadoras, segundo a Wikipédia, a Suprema Corte garantiu novas proteções jurídicas às corporações que enfrentam sanções criminais. No passado, a corte estabeleceu que os réus tinham o direito a um júri, para decidir sobre fatos essenciais que sugeriam punições mais duras. Em junho, Sonia Sotomayor escreveu, em seu voto, que o mesmo era verdadeiro para as corporações. Resultado da votação: 6 a 3 para os conservadores. A ministra foi corajosa porque, segundo a Wikipédia, os registros históricos indicam que um ministro só vota contra sua própria bancada depois de pelo menos 5 anos no cargo. Ele foi para a corte em 8 de agosto de 2009.

Exceções à regra
Todos esses casos de votos “rebeldes” constituem, entretanto, exceções à regra. O placar normal das decisões da corte é 5 a 4 – cinco votos conservadores contra quatro votos liberais. Assim, os conservadores tiveram inúmeras vitórias nos últimos tempos. Entre as mais notáveis, por exemplo, deram ganho de causa ao Walmart, contra suas funcionárias, em uma ação coletiva por discriminação sexual. Determinaram que as prisões têm o direito de ordenar a prisioneiros que se desnudem, para fazer buscas, mesmo que não sejam considerados perigosos. Proibiram os sindicatos do setor público de coletar taxas de funcionários para financiar projetos políticos especiais.

Mas, mesmo no calor das discórdias, políticos conservadores esperam que a poeira assente e que os ministros conservadores façam as pazes com o presidente Roberts, para que a coalizão majoritária volte a imperar. A partir de setembro, a Suprema Corte vai decidir dois casos de grande interesse para os conservadores: uma lei sobre direito ao voto e outra sobre o casamento. A lei do casamento, que os conservadores querem manter intacta, estabelece que o matrimônio somente pode ocorrer entre um homem e uma mulher.

João Ozorio de Melo é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 9 de julho de 2012

In: Conjur – Suprema Corte dos EUA enfrenta momento de discórdias pessoais.

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“Neomacartismo” cresce nos EUA às vésperas das eleições presidenciais

Estados Unidos, por Baudelaire

EUA, por Baudelaire

“Neomacartismo” cresce nos EUA às vésperas das eleições presidenciaisProfessores são o principal alvo de ofensiva da extrema-direita norte-americana contra “ideias subversivas e comunistas”

A classe intelectual está mais uma vez sob ataque nos Estados Unidos. Por trás dessa recente ofensiva ronda o fantasma do “Macartismo”, período de intensa patrulha anticomunista que começou de forma bastante semelhante nos anos 1950. Os alvos preferenciais também eram integrantes da sociedade com ideias “subversivas”.

Hoje, o “anti-intelectualismo” é uma prática em ascensão na sociedade norte-americana, particularmente em estados onde a extrema-direita é maioria. O exemplo mais recente aconteceu em Tucson, no Arizona, possivelmente o mais intolerante em relação aos imigrantes, quando uma junta escolar baniu das bibliotecas escolares os livros da escritora chilena Isabel Allende – mesmo ela vivendo há mais de 40 anos na Califórnia e naturalizada norte-americana.

Segundo Michael Hicks, membro da junta escolar, os livros da escritora foram banidos porque não são “compatíveis com os valores da sociedade”. Ele confessa que nunca leu a obra de Allende.

“Não me interessa o que dizem [os livros]. Mas sei que não são bons para os nossos alunos”, disse Hicks recentemente em entrevista ao programa “The Daily Show”.

Allende não está sozinha. Escritores e editores como Junot Díaz, Jonathan Kozol, Rudolfo Anaya, Sandra Cisneros, James Baldwin, Howard Zinn, Rodolfo Acuña, Ronald Takaki, Jerome Skolnick e Gloria Anzaldúa também viram seus livros banidos. Até, A Tempestade, de William Shakespeare, desapareceu das estantes escolares.

A decisão em Tucson obedece a uma lei aprovada pelo congresso estadual do Arizona, que proíbe o ensino de estudos que

“promovam a derrubada do governo dos Estados Unidos, o ressentimento contra raças ou classes sociais, estejam orientados para alunos de um determinado grupo étnico e alimentem a solidariedade entre raças em vez do tratamento dos estudantes como indivíduos”.

O curioso neste caso é que Tucson, uma cidade com forte imigração latina, proibiu justamente autores da região.

Outra vítima foi a professora Brooke Harris, do Michigan, demitida após pedir autorização para uma campanha em favor da família de Trayvon Martin, jovem negro assassinado por um latino na Flórida em fevereiro – o caso teve repercussão internacional. O diretor do sistema escolar justificou a demissão com o argumento de que Harris era paga para ensinar, “não para realizar atividades políticas”.

Em 2010, um tribunal de apelações em Cincinnati, Ohio, confirmou o desligamento de uma professora do ensino secundário. Shelley Evans Marshall recomendou aos alunos para que estudassem a lista da Associação Norte-americana de Bibliotecas com os “100 livros Banidos e mais questionados” (pelos extremistas), e escrevessem um ensaio sobre a censura.

Ela foi despedida depois que alguns pais protestaram, em particular porque ela recomendou a leitura de livros como Siddhartha, de Hermann Hes,s e Como matar um rouxinol, de Harper Lee. Também causou furor Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, que descreve uma sociedade futura onde uma polícia intelectual se dedica a queimar livros “proibidos”, como nas fogueiras da Idade Média ou da Alemanha Nazista.

Explicações

Desde a chegada de Barack Obama à Casa Branca, membros dessas elites reacionárias e extremistas políticos decretaram o fim de uma “pureza” ideológica que, até então, controlava os EUA. Muitos vêem Obama como um símbolo dessa ameaça e o “antiintelectualismo” transformou-se, de repente, em uma espécie de “antiobamismo”.

A reforma do sistema de saúde, de repente, virou um “ato antiamericano”, pois teria um verniz“socialista” por favorecer as classes mais pobres e limitar o enriquecimento das companhias de seguros.

“Deus fez o mundo à sua semelhança. Devemos acabar com aqueles quem se opõem a Ele banindo todos esses livros e estudos maltrapilhos que atentam contra a pureza da família”, disse recentemente o pastor evangelista Mattew Simmons, conhecido animador dos comícios do “Tea Party”.

O deputado pela Flórida, Allen West, “acusou” os colegas de serem comunistas. “Há uma rede de membros do Partido Comunista, infiltrada em todos os comitês. Eles não querem o retorno de valores da América; preferem nos levar em direção ao socialismo e a um mundo ateu”, disse West.

Os EUA “têm uma longa historia de antiintelectualismo, é algo que faz parte da nossa cultura e vida política. Somos experts em difundir mensagens contra todos aspectos da vida política e social dos EUA que não nos agradam”, comentou no Huffington Post o escritor e professor de antropologia da Universidade de West Chester, Paul Stoller.

“Vivemos em um país que suspeita dos ‘nerd’, dos sonhadores e dos intelectuais inovadores que guiam Volvos, gostam de comida francesa e bebem cappuccinos. Mas no fundo, são noções artificiais que nos levam a uma ignorância muito perigosa”, acrescentou o intelectual.

via: Opera Mundi – “Neomacartismo” cresce nos EUA às vésperas das eleições presidenciais.

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Otis Moss, III Challenges Fellow Black Clergy On Marriage Equality For Gays And Lesbians

See video: http://youtu.be/k7Ktjqf9Vi4

The Rev. Dr. Otis Moss, III is the Pastor of Trinity United Church of Christ in Chicago, Illinois. During an address to his church on May 13th, Pastor Moss read a letter he had sent to a fellow clergyman who took issue with the President’s recent support of Gay marriage.

Find the transcript below:

My Brother:

Tell your brethren who are part of your ministerial coalition to “live their faith and not legislate their faith” for the Constitution is designed to protect the rights of all. We must learn to be more than a one-issue community and seek the beloved community where we may not all agree, but we all recognize the fingerprint of the Divine upon all of humanity.

There is no doubt people who are same-gender-loving who occupy prominent places in the body of Christ. For the clergy to hide from true dialogue with quick dismissive claims devised from poor biblical scholarship is as sinful as unthoughtful acceptance of a theological position. When we make biblical claims without sound interpretation we run the risk of adopting a doctrinal position of deep conviction but devoid of love. Deep faith may resonate in our position, but it is the ethic of love that forces us to prayerfully reexamine our position.

The question I believe we should pose to our congregations is, “Should all Americans have the same civil rights?” This is a radically different question than the one you raised with the ministers, “Does the church have the right to perform or not perform certain religious rites.” There is difference between rights and rites. We should never misconstrue rights designed to protect diverse individuals in a pluralistic society versus religious rites designed by faith communities to communicate a theological or doctrinal perspective. These two questions are answered in two fundamentally different arenas. One is answered in the arena of civic debate where the Constitution is the document of authority. The other is answered in the realm of ecclesiastical councils where theology, conscience and biblical mandates are the guiding ethos. I do not believe ecclesiastical councils are equipped to shape civic legislation nor are civic representatives equipped to shape religious rituals and doctrine.

The institution of marriage is not under attack as a result of the President’s words. Marriage was under attack years ago by men who viewed women as property and children as trophies of sexual prowess. Marriage is under attack by low wages, high incarceration, unfair tax policy, unemployment, and lack of education. Marriage is under attack by clergy who proclaim monogamy yet think nothing of stepping outside the bonds of marriage to have multiple affairs with “preaching groupies.” Same-gender couples did not cause the high divorce rate, but our adolescent views of relationships and our inability as a community to come to grips with the ethic of love and commitment did. We still confuse sex with love and romance with commitment.

My father, who is a veteran of the civil rights movement and retired pastor, eloquently stated the critical nature of this election when speaking to ministers this past week who claim they will pull support from the President as a result of his position. He stated, “Our Ancestors prayed for 389 years to place a person of color in the White House. They led over 200 slave revolts, fought in 11 wars, one being a civil war where over 600,000 people died. Our mothers fought and were killed for women’s suffrage, our grandparents were lynched for the civil rights bill of 1964 and the voting rights act of 1965…my father never had the opportunity to vote and I believe it is my sacred duty to pull the lever for every member of my family who was denied the right to vote. I will not allow narrow-minded ministers or regressive politicians the satisfaction of keeping me from my sacred right to vote to shape the future for my grandchildren.”

“The institution of marriage is not under attack as a result of the President’s words.”

Gay and lesbian citizens did not cause the economic crash, foreclosures, and attack upon health care. Poor underfunded schools were not created because people desire equal protection under the law. We have much work to do as a community, and to claim the President of the United States must hold your theological position is absurd. He is President of the United States of America not the President of the Baptist convention or Bishop of the Sanctified or Holiness Church. He is called to protect the rights of Jew and Gentile, male and female, young and old, Gay and straight, black and white, Atheist and Agnostic. It should be noted the President offered no legislation, or executive order, or present an argument before the Supreme Court. He simply stated his personal conviction.

If we dare steal away from the noise of this debate, we will realize as a church we are called to “Do justice, live mercy and walk humbly with God.” Gay people have never been the enemy; and when we use rhetoric to suggest they are the source of our problems we lie on God and cause tears to flow from the eyes of Christ.

I am not asking you to change your position, but I am stating we must stay in dialogue and not allow our own personal emotional prejudices or doctrines to prevent us from seeing the possibilities of a beloved community.

November is fast approaching, and the spirits of Ella Baker, Septima Clarke, Fannie Lou Hammer, Rosa Parks, A. Phillip Randolph, James Orange, Medgar Evers and Martin Luther, King Jr. stand in the balcony of heaven raising the question, “Will you do justice, live mercy and walk humbly with our God?” Emmitt Till and the four little girls who were assassinated in Alabama during worship did not die for a Sunday sermonic sound bite to show disdain for one group of God’s people. They were killed by an evil act enacted by men who believed in doctrine over love. We serve in ministry this day because of a man who believed in love over doctrine and died on a hill called Calvary in a dusty Palestinian community 2,000 years ago. Do not let the rhetoric of this debate keep you from the polls, my friend.

Asking you to imagine a beloved community, your brother and friend,

Otis Moss, III
Senior Pastor
Trinity UCC

viaOtis Moss, III Challenges Fellow Black Clergy On Marriage Equality For Gays And Lesbians.

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