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Senado dá Anistia “Post Mortem” a Marighella

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A Comissão de Anistia do Senado Federal concedeu nesta segunda-feira o Certificado de Anistiado Político post mortem à família do guerrilheiro e ex-deputado federal Carlos Marighella, apontado como um dos principais organizadores da luta armada contra o regime militar depois de 1964.

Conheça os desaparecidos da ditadura

O título de anistia post mortem, concedido pelo governo federal, foi oficializado no final de 2012, mas ainda não tinha sido entregue à família. O reconhecimento da responsabilidade do Estado pela morte de Marighella já tinha sido anunciado em 2011, ano do centenário de nascimento do político.

Emocionado, o filho do guerrilheiro, que tem o mesmo nome do pai, lembrou momentos difíceis. “Passei por diversos constrangimentos como o de ser expulso de escola por ser filho de Marighella, mas o mais terrível constrangimento é ter seu pai assassinado daquele modo. Meu pai era decente e o crime cometido com aqueles requintes é sempre chocante para um filho”, disse.

Para Carlos Marighella Filho, a luta encampada por seu pai vem sendo cada vez mais reconhecida pelas instituições e movimentos políticos do País.

“Passei minha vida esperando para que momentos como este fossem acontecendo. Sempre tive certeza de que era minha obrigação lutar para que a dignidade do meu pai fosse restabelecida e vejo sempre com gratidão as instituições, os movimentos e as personalidades de nossa vida política reconhecerem”, disse.

O guerrilheiro iniciou a militância aos 18 anos de idade, quando se filiou ao Partido Comunista Brasileiro, e chegou a ser considerado o inimigo “número um” da ditadura militar. O senador João Capiberibe (PSB-AP), presidente da subcomissão que convocou a sessão de homenagem, disse que a divulgação de fatos desse período da história “mostram para as gerações mais novas que nossa democracia custou lutas e vidas e aconteceu pela vontade do povo”.

A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) lembrou a trajetória de Marighella marcada por prisões em períodos estratégicos da história do País. O guerrilheiro foi detido em 1936, durante o governo de Getúlio Vargas.

“Nesses dias em que a nossa juventude, e nosso povo em geral, parecem ter descoberto a força da ação coletiva nas ruas de nossas cidades, contestando a política institucional, os partidos e seus líderes, é extremamente oportuno lembrar um homem que acreditava na política como um instrumento indispensável para a transformação das sociedades, que acreditava na necessidade de partidos como instrumentos coletivos de ação política e que acreditava como poucos na Justiça e na liberdade. E que ofereceu sua própria vida como exemplo de integridade e amor ao povo”, disse a senadora.

No intervalo entre as prisões, Marighella foi eleito deputado federal, em 1945, mas só exerceu o cargo por um ano, quando seu mandato foi cassado, em 1947. Em 1968, o ex-político ainda fundou a Ação Libertadora Nacional (ALN), grupo armado de resistência à ditadura militar.

Durante o evento no Senado, também foi lançado o livro Rádio Libertadora, a palavra de Carlos Marighella, que relata as facetas do político, do guerrilheiro e do poeta brasileiro Marighella

Fonte: Terra

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Caravana da Anistia recolhe em BH depoimentos de violações de direitos

Português do Brasil: Portal do já demolido Pre...

Português do Brasil: Portal do já demolido Presídio Tiradentes, em São Paulo, que abrigou os presos políticos do Estado Novo e da ditadura militar (Photo credit: Wikipedia)

Cada um dos 25 processos de militantes mineiros analisados na Caravana da Anistia, que veio ontem a Belo Horizonte, tem história suficiente para um livro. Quando os representantes da Comissão da Anistia pediram desculpas, em nome do Estado brasileiro, pelas violações de direito cometidas contra os anistiados políticos, transtornos causados a suas famílias, tempo passado no exílio e na clandestinidade, torturas sofridas na pele, perda de emprego e identidade, sofrimento e dor, foi possível perceber a sensação de alívio no rosto da plateia.

A comissão, que se reuniu na Faculdade de Direito da UFMG, já concedeu anistia política e reparação econômica em 50 mil dos 75 mil processos julgado no país e ontem apreciou mais 25 casos. Um deles é o requerimento de Arnaldo Cardoso Rocha, ex-militante da Aliança Libertadora Nacional (ALN) e que lutou ao lado de Marighella. Quem compareceu representando o filho, dado como morto aos 25 anos, foi a mãe, Anette Cardoso Rocha, de 91 anos. O pai, João de Deus Rocha, comunista histórico em Minas, está debilitado depois de sofrer uma queda aos 94 anos. Os dois, que moram na mesma casa onde nasceu o filho, no Bairro Sion, não pediam reparação econômica. Queriam apenas ouvir um pedido de desculpas formal, em nome do filho, o que foi feito ontem, em clima de muita emoção.

Condenado pela ditadura militar a duas prisões perpétuas mais 64 anos de cadeia, o advogado mineiro José Roberto Rezende foi representado in memoriam pela ex-mulher, a professora de direito da Universidade de Brasília (UNB), Beatriz Vargas Gonçalves de Rezende, de 51 anos.

“Não me interessa qual vai ser o valor da reparação concedida pela Comissão da Anistia. Sua finalidade é atenuar as perdas morais e materiais, no sentido de assumir politicamente a culpa pelos erros do passado. Só se faz isso pagando uma espécie de custo ditadura”,

afirmou ela, que veio a BH na companhia dos filhos José Roberto, 21 anos, estudante de geografia, e de João Carlos, de 18, que está terminando o ensino médio .

Bia Vargas perdeu o marido de enfarto em 2000, quanto ele tinha 58 anos. Os filhos do casal tinham 9 anos e 6 anos, além de Ronald, filho do primeiro casamento. Militante da Colina, VPR e Var-Palmares, o advogado enfrentou oito anos e seis meses de prisão, onde foi torturado. Somente ao deixar a cadeia, conseguiu concluir o curso de direito na UFMG e se tornou militante do movimento dos sem-casa.

“Ele se tonou ícone em Belo Horizonte e a OAB tornou-se parceira da Caravana da Anistia por causa da independência que José Roberto demonstrava como advogado. Ele seria nomeado primeiro ouvidor de polícia de Minas, uma função esquecida no tempo, que exercia o controle externo da atividade policial”, comentou Nilmário Miranda, membro da Comissão da Anistia.

Demitido por greve Já Maria Helena de Lacerda Godinho, a Lena, de 68 anos, pediu a palavra para falar em nome do marido, Renato Godinho Navarro, 69 anos, ex-militante da Ação Política (AP) e ex-reitor da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) por dois mandatos. Na noite de 24 para 25 de outubro, Godinho sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e uma trombose. Aos poucos, foi recuperando as funções, saiu andando do Sarah Kubitschek, se tornou pintor e já participou de exposições de arte. “Ele hoje já fala palavras e formula frases. Eu me comunico bem com ele. Estamos juntos há 42 anos. Eu me casei com Renato no religioso, na clandestinidade, e depois que saímos da prisão, também no civil. Tornaria a me casar outras vezes, desde que fosse com ele”, conta ela, que conheceu o marido nos movimentos cristãos.

Com três filhos, Lena e Renato assumiram como filho mais velho a criança gerada na prisão pela irmã dela e por um colega. “Após sair da cadeia, nós nos desligamos da militância político-partidária, pois queríamos ter filhos. Fomos ser professores”, conta. Em 1979, depois de ser convidado a dar aulas na PUC de Coronel Fabriciano, Renato foi demitido pela faculdade por participar de uma greve, mesmo sendo delegado sindical. “Ele está pedindo agora a recomposição do salário dele na PUC como se estivesse trabalhando até hoje”, informou ela. Na década de 1990, depois de passar em primeiro lugar no concurso público para dar aulas na Ufop, Renato apresentou a tese de doutorado. Apesar de termos nos desligado da militância, nunca desistimos, que defendia não existir ainda democracia plena no Brasil.”

Saiba mais

Comissão da Anistia

Criada em 2001, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, a Comissão da Anistia tem por finalidade apreciar os pedidos de reconhecimento do direito à anistia e reparação econômica dos 475 brasileiros mortos e desaparecidos durante o regime militar, além dos 72 mil requerimentos feitos até agora exigindo o reconhecimento de algum tipo de lesão grave ao direito por perseguição política. As indenizações podem ser de prestação mensal continuada, caso haja comprovação de que o vínculo de trabalho foi interrompido em função da militância política, ou de uma vez, com limite máximo de R$ 100 mil. Cada ano de perseguição política comprovada dá direito a 30 salários correspondentes à função exercida na época, calculada em valores atuais. Para uma pessoa ser anistiada, é necessário apresentar requerimento à Comissão da Anistia, com apresentação anterior de processo.

fonte: Estado de Minas

Ver também: Senado concede anistia política post mortem a Marighella

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(Vídeo) Congresso Justiça de Transição – Palestra do Prof. Dr. Menelick de Carvalho Netto

Comissão Nacional da Verdade

Comissão Nacional da Verdade (Photo credit: BrunoAziz)

Congresso: Justiça de Transição – Palestra do Prof. Dr. Menelick de Carvalho Netto

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