Polícia do DF abre inquérito para investigar sargento que sugeriu prejudicar colega gay

O áudio investigado seria de Astrogilson Alves de Freitas, que sugeriu não aceitar “v14d0 de calcinha dentro da viatura” quando se referiu ao PM gay Henrique Harrison

A Polícia Civil do Distrito Federal abriu, no dia 10 de janeiro, um novo inquérito para investigar um crime de homofobia por parte do sargento da Polícia Militar Astrogilson Alves de Freitas cometido contra o soldado Henrique Harrison da Costa.

As ofensas em questão ocorreram em janeiro de 2020, após Henrique publicar uma imagem beijando o namorado durante a formatura. O áudio foi divulgado em um grupo de policiais militares no WhatsApp, na época em que Harrison tinha acabado de se formar no curso de soldados da corporação.

“Numa guarnição minha, um cara desse não entra” — diz o áudio atribuído ao PM Astrogilson — “Se entrar, já ouviu falar em fogo amigo? Vocês conhecem o fogo amigo, né? Fogo amigo não é só atirar nos outros não”, continuou.

“Nós todos já fomos sancionados durante a carreira aí, quase 30 anos [de carreira] e tu sabe que tem isso mesmo (sic), entendeu? A gente pode até ficar calado, mas tem outro jeito de sancionar esse tipo de situação”, disse.

Em outro momento, o sargento questionou: 

“dois v14d1nhos entra (sic) na polícia para ficar beijando? Para fazer sucesso no jornal? P0rr4 nenhuma, mermão”., disse, sugerindo que Harrison “daqui uns dias está de calcinha dentro da viatura”.

Em resposta a repercussão deste caso e também um de dezembro referente ao deputado distrital Hermeto, que foi denunciado em dezembro também por mensagens homofóbicas, Henrique Harrison gravou um vídeo e divulgou no Instagram, relatando que está com medo.

“A gente sabe que o deputado Hermeto é uma das figuras mais influentes da polícia militar do Distrito Federal. Isso por ‘debaixo dos panos’, mas isso me deixa com muito medo. Fere constantemente o princípio da impessoalidade, pois ele está em todas as formaturas falando em nome próprio para poder conseguir votos. A gente fica ‘em pé’ na formatura vendo ele se promover, falando de seu nome e a corporação não deveria deixar isso acontecer, mas faz devido a influência forte dele. Isso afeta diretamente o meu trabalho”, disse Harrison.

PM gay fundamenta seu argumento contra o deputado Hermeto com base artigo 37 da Constituição Federal, que diz sobre o “princípio da impessoalidade”, preconizando que “a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos”. 

Polícia do DF abre inquérito para investigar sargento que sugeriu prejudicar colega gay
Reprodução

Sobre o Astrogilson, que disse sobre “fogo amigo”, Henrique explica que o sargento é do BOPE e mora na mesma cidade que ele, sendo a razão pela qual ele está com muito medo.

“Estou feliz com as investigações, mas não deixo de ser extremamente amedrontado”, diz.

Em novembro de 2021, Henrique Harrison ganhou um processo na justiça por danos morais no valor de R$ 25 mil contra o coronel Ivon Correa, que tinha dito a um grupo de policiais no WhatsApp que “lamenta profundamente” o beijo gay de Harrison e que a corporação foi “irreversivelmente maculada”.

Fonte: gay.blog.br

Ver também a playlist que fiz sobre LGBT+ e o Direito:

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