Arquivo do mês: setembro 2015

Ciclista atropelou alguém: acabem com as ciclovias!!!!

Porto Alegre, 07/05/2012 Prefeito José Fortunati na entrega do 1º trecho da ciclovia da Av. Ipiranga Local: trecho localizado entre a Érico Veríssimo e Azenha Foto: Cristine Rochol/PMPA
Aí outro dia ouvi, sem querer, trecho do “jornalismo” (sic) da Band News:
um ciclista atropelou um pedestre em SP e este morreu….
A partir daí, a discussão que se seguiu à “reportagem” pode ser resumida em: “ciclovias são algo ruim e deveriam ser extintas”….
Isso ficou muito claro na sequência de “opiniões” mal-disfarçadas de notícia que se seguiram a ponto do jornalista dizer: “e vamos lembrar que ano que vem tem eleições municipais…”
 
Gente, isso é surreal demais…. Aquilo não era uma reportagem, mas um panfleto político raso… Se fôssemos seguir o mesmo raciocínio (sic), então deveríamos proibir ruas e avenidas, pois quem será que mata mais no trânsito: carros, motos e caminhões de um lado ou bicicletas de outro?
Mais um caso também de “social-darwinismo” na veia…. Há uma certa elite nesse País que é tão tosca que é capaz de achar “lindo” haver ciclovias na Europa mas, “em casa”, quer dizer, no seu país, não quer que se ceda um milímetro de faixa de carros para ciclovias…..
 
Retomando a questão do telejornal, esse país nunca terá REALMENTE liberdade de imprensa enquanto:
1. Esta não for plural
2. Esta não admitir que não é imparcial e nem neutra….

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Editorial do Jornal FOLHA DE SÃO PAULO exaltando a Marcha que deu origem ao Golpe Militar em 1964

cuba

Em tempos de Marchas que pedem (de novo!!!!) um golpe militar com apoio mais ou menos velado de parte da “grande imprensa”, vale a pena relembrarmos como algo similar se deu há 50 anos atrás:


SÃO PAULO PAROU ONTEM PARA DEFENDER O REGIME
 
Publicado na Folha de S.Paulo, sexta-feira, 20 de março de 1964

Neste texto foi mantida a grafia original

 

A disposição de São Paulo e dos brasileiros de todos os recantos da patria para defender a Constituição e os principios democraticos, dentro do mesmo espirito que ditou a Revolução de 32, originou ontem o maior movimento civico já observado em nosso Estado: a “Marcha da Familia com Deus, pela Liberdade”.
Com bandas de musica, bandeiras de todos os Estados, centenas de faixas e cartazes, numa cidade com ar festivo de feriado, a “Marcha” começou na praça da Republica e terminou na praça da Sé, que viveu um dos seus maiores dias. Meio milhão de homens, mulheres e jovens – sem preconceitos de cor, credo religioso ou posição social – foram mobilizados pelo acontecimento. Com “vivas” à democracia e à Constituição, mas vaiando os que consideram “traidores da patria”, concentraram-se defronte da catedral e nas ruas proximas.
Ali, oraram pelos destinos do país. E, através de diversas mensagens, dirigiram palavras de fé no Deus de todas as religiões e de confiança nos homens de boa-vontade. Mas, tambem de disposição para lutar, em todas as frentes, pelos principios que já exigiram o sangue dos paulistas para se firmarem.
 
São Paulo pára em defesa do regime e da Constituição

Ontem, São Paulo parou. E foi à praça publica – porque “a praça é do povo” – numa mobilização que envolveu meio milhão de homens, mulheres e jovens, tambem de outros Estados: a “Marcha da Familia com Deus, pela Liberdade”.
Durante hora e meia, com a cidade adquirindo aspectos de feriado, um caudal humano correu, ininterruptamente, da praça da Republica para a praça da Sé, passando pela rua Barão de Itapetininga, praça Ramos de Azevedo, Viaduto do Chá, praça do Patriarca e rua Direita, até se represar ante as escadarias da catedral metropolitana. Foi a maior manifestação popular já vista em nosso Estado.
O repudio a qualquer tentativa de ultraje à Constituição Brasileira e a defesa dos principios, garantias e prerrogativas democraticas constituiram a tonica de todos os discursos e mensagens dirigidos das escadarias da catedral aos brasileiros, no final da passeata.
 
“Fidel, Padroeiro de Brizola”

Nas escadarias da catedral, sucederam-se os oradores. Às 18h50, a massa humana chegara à praça da Sé. E encontrou-a ocupada por multidão que acenava com lenços e bandeirolas. O senador padre Calazans ocupara o microfone antes da chegada dos manifestantes e voltou a discursar, após o primeiro orador – sr. Amaro Cesar – ter discorrido sobre os objetivos da “Marcha”. Disse o reverendo: “Hoje é o dia de São José, padroeiro da familia, o nosso padroeiro. Fidel Castro é o padroeiro de Brizola. É o padroeiro de Jango. É o padroeiro dos comunistas. Nós somos o povo. Não somos do comicio da Guanabara, estipendiado pela corrupção. Aqui estão mais de 500 mil pessoas para dizer ao presidente da Republica que o Brasil quer a democracia, e não o tiranismo vermelho. Vivemos a hora altamente ecumenica da Constituição. E aqui está a resposta ao plebiscito da Guanabara: Não! Não! Não!”.
As palavras finais do senador foram acompanhadas em unissono pelos presentes. Depois, o pe. Calazans lembrou que “aqui estamos sem tanques de guerra, sem metralhadoras. Estamos com nossa alma e com nossa arma, a Constituição”.
 
Marcha, veterano e mensagem

À chegada de d. Leonor Mendes de Barros, às 17h20, que provocou vivas e palmas, a banda da Força Publica tocou o Hino Nacional, que foi cantado por todos os manifestantes enquanto acenavam com lenços brancos. Em seguida, discursou o sr. Geraldo Goulart, veterano de 32, dizendo da semelhança entre a situação atual e aquela que originou a Revolução Constitucionalista. Depois, uma mãe paulista leu a mensagem da mulher bandeirante ao povo brasileiro.
 
Oração pelo Brasil

Coube à profa. Carolina Ribeiro, ex-secretaria da Educação, orar ao microfone por São Paulo e pelo Brasil. Todos a acompanharam no Pai Nosso e ouviram-na dizer: “Temos que pedir a Deus, neste momento em que nossos corações fervem de indignação, que não caiamos na tentação da revolta, porque só a Deus compete levar-nos pelo caminho certo”.
Ao Pai Nosso, seguiu-se a Ave Maria, tambem rezada conjuntamente, com o padre Calazans ao microfone: “Repudio às ofensas lançadas ao Rosario no comicio da Guanabara”. Era a hora do “Angelus”. Todos deram um viva à “Rainha do Brasil”.
 
“Liberdade é como saude”

“Esta manifestação popular é uma prova de que São Paulo e o Brasil querem ver sua bandeira eternamente livre” – ressaltou o dep. Ciro Albuquerque, presidente da Assembléia Legislativa paulista, que prosseguiu. “A liberdade é como a saude: somente lhe damos valor depois que a perdemos. Queremos paz, tranquilidade. E, sobretudo, exigimos respeito à Constituição e às instituições democraticas”. Em seguida, conclamou todos os membros das casas legislativas brasileiras a “estudar as reformas, que o povo deseja e merece, mas que devem ser feitas dentro do respeito à soberania do Congresso Nacional”. Finalmente, leu mensagem dos prefeitos paulistas, dando conta da assinatura de um manifesto, em que conclamam os brasileiros a lutar por aqueles principios.
 
Mensagem de alerta

Seguiram-no na tribuna o deputado Arnaldo Cerdeira e o sr. Amaro Cesar; aquele ressaltando que “não admitiremos a transgressão à lei, a agressão à Constituição”; este, lendo outra mensagem de alerta, dirigida pelos integrantes da “Marcha” ao povo brasileiro.
O representante da delegação da Guanabara, dep. Everardo Magalhães, tocou no nome do sr. Leonel Brizola e não pôde continuar o discurso por alguns minutos. Todos os manifestantes gritavam: “1, 2, 3, Brizola no xadrez. Se tiver lugar, vai o Jango tambem”. Vaias estrondaram por toda a praça e, logo depois, o parlamentar prosseguia: “Vamos dar nossa resposta democratica ao plebiscito da Guanabara”. E todos levantaram os braços, acenando novamente com lenços brancos, “pela Constituição”. E o deputado retrucou: “Obrigado paulistas. Obrigado brasileiros. Esta é a mensagem que levo para o Rio”. Nesse momento, a banda da Força Publica executou o Hino Nacional, cantado pelos presentes, ainda com os lenços acenando.
 
Armas: contra ou a favor?

O orador seguinte foi o dep. Plinio Salgado, que dirigiu pergunta às Forças Armadas: “Bravos soldados, marinheiros e aviadores de nossa patria, sereis capazes de erguer vossas armas contra aqueles que querem se levantar, aqueles que se levantam contra a desordem, a subversão, a anarquia, o comunismo? Contra aqueles que querem destruir os lares e a soberania da patria? Esta manifestação não vos comove? Será possivel que permitireis, ainda, que o Brasil continue atado aos titeres de Moscou?”
 
“Basta! Basta! Basta!”

O deputado Cunha Bueno, em seguida, agradeceu, em nome dos paulistas, o comparecimento das delegações do interior e de outros Estados. E acentuou: “Os brasileiros aqui estão reunidos para dizer ao presidente da Republica: Basta! Basta! Basta (nestas palavras foi seguido pelos manifestantes). O que queremos é paz para continuar nosso trabalho”. Deu “vivas” ao Brasil e à democracia.
 
Espirito de 32

Por sua vez, o dep. Herbert Levy acentuou: “Vossa presença neste momento historico significa que o povo brasileiro não quer ditadura, não quer comunismo. Quer paz, ordem e progresso. O povo está na rua revivendo o espirito de 32 em defesa da Constituição que fizemos com o nosso sangue. E, se preciso, iremos todos, velhos, moços e até crianças, para as trincheiras de 32. Esta é a advertencia para o presidente da Republica e seu cunhado, para que não brinquem de comunismo no Brasil”. Foi interrompido varias vezes pelos populares, que gritavam: “1, 2, 3, Brizola no xadrez” e “Verde-amarelo, sem foice e martelo”. E a banda da Guarda Civil atacou a marcha “Paris Belfort”, o hino da Revolução de 32.
 
“Escravatura vermelha”

A deputada Conceição da Costa Neves tambem dirigiu saudação aos brasileiros, dizendo: “Aqui, mercê de Deus, se encontra o Brasil unido contra a escravatura vermelha. De São Paulo partirá a bandeira que percorrerá todo o país, para dizer a todos os partidos que a hora é de união, para dizer basta ao sr. presidente da Republica”.
Depois, houve outros oradores – estudantes e representantes de outros Estados -, todos ressaltando a necessidade de união pela preservação do regime, e o deputado Camilo Aschar afirmou que “a Assembléia Legislativa de São Paulo estará alerta para o que der e vier”. Discursou tambem o prefeito de Campinas, sr. Rui Novais, e um representante da delegação paranaense lembrou que “32 e 32 somam 64”.
 
“Senão, não!”

O ultimo orador a ocupar a tribuna foi o sr. Auro Soares de Moura Andrade, presidente do Congresso Nacional. E disse: “Sentimos que hoje é um dia de importancia historica para o Brasil. O povo veio à praça publica para demonstrar sua confiança na democracia. Veio para afirmar perante a Nação que os democratas não permitirão que os comunistas sejam os donos da Patria. Democratas do Brasil, confiem, não desconfiem das gloriosas Forças Armadas de nossa patria. Dentro de cada farda, não está somente um corpo, mas tambem uma consciencia e um juramento feito. Que sejam feitas reformas, mas pela liberdade. Senão, não. Pela Constituição. Senão, não. Pela consciencia cristã do nosso povo. Senão, não”. E todos os presentes o acompanharam no “senão, não”. Logo em seguida, a banda tocou a Canção do Soldado, cantada pelos manifestantes, que, depois, repetiram os “slogans” contra o sr. Leonel Brizola e o comunismo e se foram da praça. Eram 18h45 e, muitos, entraram na catedral para assistir à missa vespertina.
 
Agua na passeata

Foi o proprio deputado Murilo de Sousa Reis quem efetuou a interdição de um predio comercial, na rua Barão de Itapetininga, e, acompanhado de policiais, revistou todos os conjuntos. Isso porque de um deles haviam atirado um balde de agua nos transeuntes componentes da passeata. Numa das janelas, aquele deputado constatou que o seu batente estava molhado e efetuou a detenção do responsavel pelo escritorio e de um outro elemento que o acompanhava. Ambos foram conduzidos ao DOPS e só à noite foram dispensados.
 
Ovos e prisões

Outro fato, mais tarde esclarecido, foi a detenção que a Policia que vistoriava a passeata efetuou na praça da Sé, de dois jovens que portavam dentro do carro grande quantidade de ovos de galinha. Apontados por transeuntes, que disseram que os rapazes iam jogar os ovos na multidão, os dois foram detidos e encaminhados ao DOPS. Só então foi constatado que as caixas se destinavam a um supermercado. Os dois foram dispensados.

Fonte: Banco de Dados da Folha

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Um bom exemplo do social-darwinismo presente na sociedade brasileira

Captura de Tela 2015-09-22 às 10.09.06 Vídeo ao final…..

O Brasil é o país em que a teoria do Darwinismo Social é o exemplo mais bem sucedido no mundo. Em nenhum outro lugar do planeta fomos tão eficientes em aplicar os ensinos de Gobineau & Cia.

Sobre isso vale a pena ler A Ralé Brasileira: quem é e como vive”, de Jessé Souza.

Sugiro também o texto do Daniel Moraes, em que explica a teoria do darwinismo social e sua aplicação nas Américas: “A América para os Euro-americanos: exclusão racialista na formação identitária dos estados nacionais da américa hispânica e estados unidos”. In: José Luiz Quadros de Magalhães (org.). Direito à Diversidade e o Estado Plurinacional. Belo Horizonte: Arraes, 2012, p. 47-61.

Aqui em vídeo:

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Financiamento democrático das campanhas eleitorais – Decisão do STF

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Prof. José Miguel Garcia Medina

O Supremo Tribunal Federal concluiu, em 17.09.2015, o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade 4650 e declarou a inconstitucionalidade da doação de pessoas jurídicas a partidos políticos e campanhas eleitorais. O Tribunal deliberou que a decisão produzirá efeitos desde logo e, portanto, aplica-se às eleições de 2016 e seguintes. Com relação às pessoas físicas, as contribuições ficam reguladas pela lei em vigor.

A respeito, José Miguel Garcia Medina, na obra Constituição Federal Comentada, escreveu que

X. Financiamento democrático das campanhas. Em atenção ao princípio democrático (cf. comentário supra ), não parecem acordes com a Constituição Federal disposições que autorizam a realização de doações por pessoas jurídicas – que não votam – ou que não imponham limites máximos às doações realizadas por eleitores – o que permite que pessoas com grande poder econômico exerçam influência desmedida no processo eleitoral.

A íntegra da notícia do julgamento pelo STF encontra-se disponível aqui.

Abaixo, print de páginas da obra Constituição Federal Comentada, em…

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BASES CONSTITUCIONAIS E DECISÕES POLÍTICAS NAS AMEAÇAS DE IMPEACHMENT

Entrevista com o professor Alexandre Bahia, que fala sobre a possibilidade de uma ruptura institucional no país. Ele analisa as possibilidade de um impeachment da presidente Dilma, as bases constitucionais e a decisão política. E ainda o papel de instituições como o Supremo, o Tribunal Superior Eleitoral e o Tribunal de Contas da União.
TV Assembleia – Programa Mundo Político – 03/09/2015

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