Arquivo do mês: agosto 2012

Setor Público é mais Produtivo que o Privado em mais de 35%

English: Brasília - O presidente do Instituto ...

O Ipea avaliou a evolução da diferença de produtividade entre esses dois setores entre 1995 e 2006. “Em todos os anos pesquisados, a produtividade da administração pública foi maior do que a registrada no setor privado. E essa diferença foi sempre superior a 35%”, diz o presidente do instituto, Marcio Pochmann (foto). “Há muita ideologia e poucos dados nas argumentações de que o Estado é improdutivo, e os números mostram isso: a produtividade na administração pública cresceu 1,1% a mais do que o crescimento produtivo contabilizado no setor privado, durante todo o período analisado”, acrescenta.

Os dados da pesquisa podem ser acessados em: http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/comunicado_presidencia/09_08_19_ComunicaPresi_27_ProdutividadenaAdminisPublica.pdf

Redação – Carta Maior

A administração pública é mais produtiva do que o setor privado. Essa foi uma das conclusões a que chegou o estudo Produtividade na Administração Pública Brasileira: Trajetória Recente, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. O Ipea avaliou a evolução da diferença de produtividade entre esses dois setores entre 1995 e 2006.

“Em todos os anos pesquisados, a produtividade da administração pública foi maior do que a registrada no setor privado. E essa diferença foi sempre superior a 35%”, afirmou o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, ao divulgar o estudo. “No último ano do estudo [2006], por exemplo, a administração pública teve uma produtividade 46,6% maior [do que a do setor privado]. O ano em que essa diferença foi menor foi 1997, quando a pública registrou produtividade 35,4% superior à da privada”.

O estudo diz que entre 1995 e 2006 a produtividade na administração pública cresceu 14,7%, enquanto no setor privado esse crescimento foi de 13,5%. “Há muita ideologia e poucos dados nas argumentações de que o Estado é improdutivo, e os números mostram isso: a produtividade na administração pública cresceu 1,1% a mais do que o crescimento produtivo contabilizado no setor privado, durante todo o período analisado”.

Segundo o Ipea, a administração pública é responsável por 11,6% do total de ocupados no Brasil. No entanto, representa 15,5% do valor agregado da produção nacional. “A produção na administração pública aumentou 43,3% entre 1995 e 2006, crescimento que ficou mais evidente a partir de 2004. No mesmo período, os empregos públicos aumentaram apenas 25%. Isso mostra que a produtividade aumentou mais do que a ocupação”, argumentou o presidente do Ipea. “Esse estudo representa a configuração de uma quebra de paradigma, porque acabou desconstruindo o mito de que o setor público é ineficiente”, defendeu Pochmann.

Entre os motivos que justificariam o aumento da eficiência produtiva da administração pública, Pochmann destacou as recentes inovações, principalmente ligadas às áreas tecnológicas que envolvem Informática; os processos mais eficientes de licitação; e a certificação digital, bem como a renovação do serviço público, por meio de concursos.

O presidente do Ipea lembrou ainda que as administrações estaduais que adotaram medidas de choque de gestão, como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, não constam entre aquelas com melhor desempenho na produtividade. “Ou tiveram ganho muito baixo, ou ficaram abaixo da média de 1995 a 2006”, afirmou, ressalvando que essa comparação não era objetivo do estudo, mas foi uma das conclusões observadas.

via Carta Maior – Economia – Produtividade no setor público supera a do setor privado.

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Pela primeira vez, modelo ‘tradicional’ de família já não é maioria no Brasil | Pragmatismo Político

Formação clássica ‘casal com filhos’ deixou de ser maioria no Brasil: segundo o IBGE, representa 49,9% dos domicílios, enquanto outros tipos de famílias já somam 50,1%

tradicional família brasileira

Pai, mãe e filho já não reinam mais nos lares brasileiros.

A família brasileira se multiplicou. O modelo de casal com filhos deixou de ser dominante no Brasil. Pela primeira vez, o censo demográfico captou essa virada, mostrando que os outros tipos de arranjos familiares estão em 50,1% dos lares. Hoje, os casais sem filhos, as pessoas morando sozinhas, três gerações sob o mesmo teto, casais gays, mães sozinhas com filhos, pais sozinhos com filhos, amigos morando juntos, netos com avós, irmãos e irmãs, famílias “mosaico” (a do “meu, seu e nossos filhos”) ganharam a maioria.

O último censo, de 2010, listou 19 laços de parentesco para dar conta das mudanças, contra 11 em 2000. Os novos lares somam 28,647 milhões, 28.737 a mais que a formação clássica.

Essa virada vem principalmente com a queda na taxa de fecundidade. Em 1940, a mulher tinha em média seis filhos, hoje tem menos de dois, fazendo a população crescer mais devagar e ficar mais velha.

Fonte:  Pragmatismo Político.

 

Minha observação:  lembrando que “tradicional” significa: um modelo burguês construído nos séc. XVIII e XIX, uma vez que antes disso houve tantas formas DIFERENTES de família qtas foram as civilizações e mesmo na “judaico-cristã-ocidental” há uma variedade enorme de arranjos de pessoas a q demos o nome genérico de “família”…..

 

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The Constitution and the Candidates: Race, Religion, rommey and Ryan

 

The Constitution and the Candidates: Race, Religion, Romney, and Ryan—A Commentary by Akhil Reed Amar ’84

The following commentary was posted on The Daily Beast on August 19, 2012.The Constitution and the Candidates: Race, Religion, Romney, and Ryan 
By Akhil Reed Amar ’84When the Philadelphia framers unveiled their proposed Constitution 225 years ago—September 17 will mark the official anniversary—most Americans were white Protestants. Anti-Catholicism ran deep, no Jews held high office, most blacks were enslaved, and the Church of Latter Day Saintsdid not even exist. Today, while America remains predominantly white and protestant, no white Protestant sits on the Supreme Court, which consists of five white Catholics, three white Jews, and one black Catholic. Among the four leading men now in the presidential/vice presidential spotlight, the only mainstream Protestant is black; two of the remaining three contenders are Catholic and one is Mormon. For this extraordinary evolution, credit the Constitution.The place where the Constitution meets religion and race remains a treacherous cultural battleground. This spring, the conservative political operative and self-styled historian David Barton hit the bestseller list with an audacious new book on Thomas Jefferson’s philosophy of church, state, and race. Last week, Barton’s publisher unceremoniously withdrew this publication from store shelves, as scholarly evidence mounted that the book is bunk.

Barton’s fall is a cautionary tale about the perils of oversimplification. That said, here are three simple principles to remember regarding race, religion, and the Constitution.

Principle One: The Constitution is Not a Religious Document

Consider first what the Constitution’s pointedly does not say. Although the Declaration of Independence, the Articles of Confederation, and several Revolution-era state constitutions had explicitly and prominently invoked God in their opening and/or closing passages, the federal Constitution conspicuously said nothing of the sort. Thus, neither the Preamble nor any other constitutional clause explicitly mentioned the “Creator” or “Nature’s God” or “the Supreme Judge of the World,” as had the Declaration of Independence and the New York Constitution of 1777 (which incorporated the Declaration); or “the Great Governor of the World,” as had the Articles of Confederation; or the “Great Governor of the Universe,” as had the Pennsylvania Constitution of 1776; or “the Great Legislator of the Universe, … the Supreme Being, the great Creator and Preserver of the universe,” as had the Massachusetts Constitution of 1780. The South Carolina Constitution of 1778 used the word “God” nine times—a word that explicitly appeared in every revolution-era state constitution save Virginia’s. But this word appeared nowhere in the federal Constitution—a pointed omission if ever there was one.

Consider next what the Constitution does explicitly say: “No religious Test shall ever be required as a Qualification to any Office or public Trust under the United States.” As of 1787, almost every state did in fact use religious tests. Nine states incorporated these tests into the very texts of their written constitutions. So the Framers’ emphatic rejection of religious tests for federal office-holders was not business as usual. It was big news—a truly revolutionary New World idea whose reverberations powerfully resounded last weekend, with a Mormon and Catholic clasping hands as thousands of onlookers—mostly mainstream Protestants—clapped and cheered.

Consider, finally, one additional patch of constitutional text, specifically focused on the presidency. While most Founding-era state constitutions expressly included the phrase “so help me God” or some analogous reference to “God” in their obligatory oaths, the Article II presidential oath omitted all mention of God. This omission was surely pointed and purposeful, with the result that no duly selected president could be obliged to utter the word “God” or profess his belief in any supreme being.

A religiously neutral Constitution should not be confused with an anti-religious or anti-Christian Constitution.

True, the Constitution does specially privilege “Sundays” in a clause governing the ten-day window for presidential vetoes, but this provision was not expressly theological; and common days of rest can be justified on wholly secular grounds.

One textual arrow might seem to point in a different direction. Immediately preceding the thirty-nine famous signatures at the bottom of the 1787 parchment, we find the following words: “done in Convention by the Unanimous Consent of the States present the Seventeenth Day of September in the Year of our Lord one thousand seven hundred and Eighty seven and of the Independence of the United States of America the Twelfth. In witness whereof We have hereunto subscribed our Names.” [Emphasis added.]

At first blush, these words might seem to contradict the central meaning of the religious test clause and the presidential oath clause. After all, the Constitution requires federal officials to take an oath to the Constitution itself. If that document really does proclaim that Jesus Christ is “our Lord,” then isn’t this oath-taking itself an improper religious test?

As it turns out—though this fact has until now not been widely understood—the “our Lord” clause is not part of the official legal Constitution. The official Constitution’s text ends just before these extra words of attestation—extra words that in fact were not ratified by various state conventions in 1787-88.

What, then, are we to make of these words? Just this: The words “our Lord” are much like the words “so help me God” in presidential inaugurations. No president can be obliged to utter these words in his inauguration ceremony, but presidents may choose to add them, if they wish. Over the course of American history, most presidents have in fact chosen to add these words. Similarly, the Constitution nowhere requires a president to swear his oath of office on a Bible, but a president can choose to do so—and almost all presidents, beginning with George Washington, have in fact done so. Similarly, the thirty-nine framers at Philadelphia were allowed to profess their faith even in the public square. Some signers with quill in hand likely gave no thought to the “Year of our Lord” language and its theological overtones. But other signers may well have mused on things eternal, and on their personal relationships to God, at the precise instant when they added their names to a plan that they hoped would sharply bend the arc of human history toward justice. All of which leads us to our next general principle:

Principle Two: The Constitution is Not an Anti-Religious Document

A religiously neutral Constitution should not be confused with an anti-religious or anti-Christian Constitution. Just as no unbeliever may be barred from federal service for his atheism, no true believer may be excluded for his abiding faith.

Many of those responsible for America’s Constitution were folk of deep faith. Bracket, for a moment, the Founding generation. Whether or not Barton and his fellow travelers succeed in establishing that the leading framers wore religion on their sleeves, surely the generation of reformers who arose to stamp out slavery and its vestiges brought their faith dramatically into the public square. First and foremost, abolitionists believed that slavery was ungodly—and eventually they succeeded in inscribing their abiding moral principles in the Constitution itself, in a trio of Reconstruction Amendments adopted after the Civil War. Long before Barton, Ralph Reed, Jerry Falwell, and others made clear the clout of America’s religious right, America’s religious left—the abolitionist generation—gave us the Thirteenth, Fourteenth, and Fifteenth Amendments, the crown jewels of our Constitution.

And with these amendments in view, we see our final general principle:

Principle Three: The Constitution Includes More Than the Founding

Two hundred and twenty-five years ago, slavery, race discrimination, and/or religious tests prevailed in most states. Today, all races and religions stand equal before the law, and do so not because activist federal judges have plucked liberal constitutional principles out of thin air, but because We, the People of the United States, amended our Constitution after the Civil War to hold state governments to much higher standards of religious and racial equality. None of the four men who now stand atop the political pyramid could have scaled these heights had the rules of 1787, grand as they were for their time, remained unchanged. As America celebrates the Constitution’s 225th birthday, let’s give credit not just to the Founders but also to those later generations who, thank God, made amends for some of the sins of our fathers.

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Fórum da ONU aborda desigualdade enfrentada por meninas na educação

Fórum da ONU aborda desigualdade enfrentada por meninas na educação

 

Com evidências que demonstram as disparidades no desenvolvimento educacional das meninas, as Nações Unidas deram início hoje (03/10) a um encontro de dois dias em Paris voltado para a desigualdade dos desempenhos de gênero nas salas de aula e no papel de liderança das mulheres na educação.

O Fórum traz para o debate especialistas em igualdade de gênero, oficiais de governo e representantes de organizações não governamentais (ONGs) para examinar as raízes das disparidades nas performances escolares entre meninos e meninas.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que organiza o fórum, as desigualdades na educação permanecem sendo um problema crucial para diversos países. Enquanto as mulheres constituem dois terços da população mundial de analfabetos, ainda permanecem sendo a grande maioria das crianças fora das salas de aula.

“Igualdade não é um jogo de números. Implica nas mesmas chances de aprendizado, nos benefícios da igualdade de tratamento nas escolas e na busca por oportunidades iguais de trabalho, de salários e de participação cívica”,

disse a Diretora-Geral da UNESCO, Irina Bokova. Ela alertou ainda para o crescimento dessas disparidades e os desafios de igualdade descritos no Relatório Global de Monitoramento da Educação da UNESCO em 2011.

Esse mesmo relatório, aprovado por mais de 160 países no Fórum Mundial de Educação ocorrido em 2000 na cidade de Dakar, no Senegal, concordou com o Objetivo de alcançar 100% das crianças com matrícula no ensino fundamental até o ano de 2015. No entanto, inúmeros países da África Subsaariana ainda encontram sérios problemas de disparidade de gênero em níveis ainda primários e os progressos ainda se dão de maneira muito lenta ou não se dão de maneira alguma.

Fonte: ONU-BR

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Sorteio de Convites para o “Fórum Brasileiro de Direito Processual Civil”

Ocorrerá em Brasília, entre os dias 12-14 de setembro, o “Fórum Brasileiro de Direito Processual Civil”, com a participação dos maiores juristas na área de Processo no Brasil, entre eles um dos autores do “Curso de Direito Processual Civil”, Prof.Dierle Nunes.

A Editora Fórum gentilmente nos cedeu 2 convites para serem sorteados na Fan Page do Curso.
Para participar, basta “Curtir” e “Compartilhar” a página do Curso de Direito Processual Civil e se inscrever na Promoção (em “quero participar”).

O sorteio ocorrerá no dia 31/08/2012 e os(as) sorteados(as) deverão entrar com contato com os autores Alexandre Bahia (alexprocesso@gmail.com) ou Dierle Nunes (dierlenunes@gmail.com) a fim de passar os dados para confirmação do sorteio.
Clique em: https://www.facebook.com/pages/CURSO-DE-DIREITO-PROCESSUAL-CIVIL-FUNDAMENTA%C3%87%C3%83O-E-APLICA%C3%87%C3%83O/126341060809259?sk=app_154246121296652

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EUA: Republicanos pedem cortes sociais. Igreja reage compacta

 

Washington, 23 ago (RV/SIR) – As religiosas e os bispos católicos dos EUA estão indignados com o plano de ajuste fiscal e o programa de cortes sociais idealizados pelo “número dois” republicano, Paul Ryan. Desde que Ryan, que aspira à vice-presidência dos EUA pelo Partido Republicano, anunciou em abril seu drástico plano de austeridade, a Igreja Católica está na linha de frente das críticas por considerá-lo uma “traição” e uma “armadilha mortal” para os mais pobres.

Em julho, o Bispo de Stockton e presidente do Comitê de Justiça Nacional e Desenvolvimento Humano da Conferência de Bispos Católicos dos EUA, Dom Stephen E. Blaire, reiterou que “o ajuste fracassa na hora de encarar os critérios morais de solidariedade e proteção aos menos favorecidos”. A Conferência Episcopal enviou também uma carta ao Congresso para alertar contra o plano orçamentário, “moralmente indefensável e traidor do princípio católico da solidariedade”. Aos bispos, se somou um grupo de religiosas, que foi para a estrada em julho em um ônibus batizado como “Nuns on the bus” (Freiras no ônibus) com o qual percorrem o país denunciando a agressiva proposta de cortes.

“O plano é uma armadilha mortal para aqueles que estão nas margens da sociedade; põe em perigo grande parte dos programas sociais” – denunciou Irmã Diane Donahue, ao encerrar seu percurso diante do Congresso em Washington, em 2 de julho. A Irmã Simone Campbell, uma das religiosas que viaja no “Nuns on the bus”, classificou na semana passada o plano como “horrível” e convidou o candidato republicano à presidência, Romney, e o aspirante à vice-presidência, Ryan, para passar um dia de campanha com elas em seus trabalhos com os menos favorecidos. Para a religiosa, o plano de ajuste é antipatriota e contrário à justiça social. O plano propõe reduzir o déficit fiscal com duros cortes aos programas sociais e ao gasto público.

Fonte: domtotal

 

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No Brasil, o ateísmo, nos EUA um muçulmano ou um mórmon?

 

Mitt Romney

 

 

No dia 29 de maio, Mitt Romney obteve o número necessário de delegados que, na convenção do fim de agosto, em Tampa (Flórida), lhe garantirão a nomeação como candidato republicano às eleições presidenciais de novembro. Romney obteve sucesso apesar do fato de ser mórmon, ou seja, de pertencer a uma religião profundamente em conflito com a base do Partido Republicano, branca e evangélica (composta por batistas, pentecostais, metodistas e muitos outros).

O mormonismo começou nos anos 1920, por obra de Joseph Smith, que afirmava ter tido visões divinas. O Livro de Mórmon que Smith dizia ter traduzido das tábuas de ouro que lhe foram mostradas por um anjo, revela que Deus, centenas de anos antes do nascimento de Cristo, levou uma tribo dispersa de Israel aos atuais Estados Unidos e que Jesus visitou esse povo depois da sua ressurreição.

Esse e outros textos canônicos formam a base de uma série de crenças em contraste com o cristianismo tradicional. Os fiéis rejeitam a fórmula do Credo sobre a Trindade, acreditam em uma revelação contínua de Cristo através dos profetas mórmons e negam que Deus tenha criado o mundo do nada.

Uma questão ainda mais controversa é a que se refere à poligamia, praticada pelos mórmons até o fim do século XIX, quando, depois que uma decisão da Suprema Corte proibiu o casamento com várias mulheres, os líderes da Igreja anunciaram ter recebido uma nova revelação que os chamava a abandonar a prática. É interessante notar que o bisavô de Romney se recusou a abandonar suas quatro esposas e seus 30 filhos e, em 1885, fugiu para o México. O pai de Romney nasceu no México e voltou para os EUA apenas aos cinco anos.

Em resumo, o mormonismo abraça muitas crenças que católicos e protestantes consideram esotéricas, na melhor das hipóteses, senão heréticas. Ao contrário dos fundamentalistas, que acreditam que a Bíblia é a única revelação autorizada de Deus, os mórmons acreditam que as revelações posteriores têm um status canônico igual. Diferentemente dos pentecostais, que acreditam que o Espírito Santo continua inspirando as curas através da oração ou o falar muitas línguas, os mórmons acreditam que a revelação é contínua, através da mediação das lideranças religiosas. Recentemente, diante dos protestos dos judeus, eles abandonaram a prática de celebrar o “batismo por procuração” daqueles que foram mortos no Holocausto. Caso único também é a crença dos mórmons no Jardim do Éden, localizado no Estado de Missouri.

Além de ter diferenças doutrinais, os mórmons e os evangélicos estão competindo em muitas partes do mundo na sua obra de proselitismo. Os primeiros encorajam os jovens a passar dois anos em atividade missionária – Romney, quando jovem, esteve na França –, e, segundo a Igreja mórmon, há cerca de 50 mil missionários ativos em todo o mundo.

Apesar disso, muitos evangélicos admitem que os mórmons tendem a viver de modo devoto, embora nos erros das suas doutrinas. Aos mórmons não é permitido fumar ou beber álcool, e eles também têm que se abster do café. Enfatizam muito a importância da família e se opõem ao aborto, exceto em casos de estupro, incesto ou para salvar a vida da mãe.

Além disso, a sua Igreja financiou o esforço para proibir os casamentos entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia. Assim, enquanto muitos pastores evangélicos consideram heréticas as convicções dos mórmons e se preocupam que uma presidência de Romney poderá dar legitimação a essa religião com a qual eles competem pelas conversões na África, Ásia e América Latina, no entanto, eles veem em Romney alguém que reflete melhor do que Obama os seus valores de ética sexual e social, especialmente depois que o atual presidente se manifestou em favor dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Durante as eleições primárias, Romney fracassou constantemente para conquistar os votos dos evangélicos brancos, dirigidos a outros candidatos. Em Estados como Tennessee, Carolina do Sul e Kansas, onde os evangélicos brancos eram a maioria dos eleitores, Romney foi derrotado. Mas depois de gastar milhões de dólares nas eleições primárias em campanhas contra os seus adversários, no fim, Romney saiu vencedor.

A pergunta em torno da sua campanha era se os seus péssimos resultados entre os evangélicos brancos seriam compensados pela hostilidade, senão pelo ódio, que estes mesmos eleitores têm contra Obama. Até agora, a resposta é positiva: os evangélicos brancos estão engolindo o sapo e estão se alinhando com a candidatura de Romney.

Uma pesquisa de maio passado realizada pelo PRRI (Public Religion Research Institute) mostrou que, entre os evangélicos brancos, Romney obteria 68% dos votos (Obama, 19%). Em comparação, entre os brancos pertencentes às Igrejas protestantes “históricas” (aqueles que não se identificam como “evangélicos”, como os episcopais e os presbiterianos), Obama superava Romney com 50% contra 37%. Obama superava Romney entre os católicos (46% contra 39%), mas entre os católicos brancos Romney levava a melhor com 48% contra 37%. De fato, são os católicos de origem latino-americana que apoiam Obama majoritariamente.

Ainda em maio, uma pesquisa da Brookings Institution, prestigioso think-tank de Washington, concluía que “os entrevistados em geral – e em particular os evangélicos brancos – são propensos a votar em Romney, independentemente do que sabem de sua religião”. Na verdade, aqueles que se identificam como eleitores de “ideias políticas conservadoras” são mais propensos a apoiar Romney depois de qualquer menção à sua fé, um resultado que provavelmente deriva da associação de Romney com o conservadorismo da Igreja mórmon.

Outro ponto de convergência entre Romney e os eleitores evangélicos é a visão sobre o excepcionalismo norte-americano. Em 1979, quando o Rev. Jerry Falwell formou a Maioria Moral para organizar os eleitores evangélicos e encorajá-los a entrar na política, ele disse que ser “pró-americano” era um elemento-chave da sua agenda. A ideia de que os EUA têm uma missão especial e providencial no mundo tem raízes profundas na história protestante dos EUA, e Falwell atualizava essa história para favorecer um chauvinismo extraordinariamente disposto a pressionar pelo emprego da força militar dos EUA no mundo como instrumento de difusão da democracia e do cristianismo.

Para os mórmons, esse chauvinismo é, se possível, ainda mais extremo. Joseph Smith não só acreditava que o Jardim do Éden estava localizado nos EUA e que lá ocorreria também a segunda vinda de Cristo, mas também acreditava que a Constituição norte-americana foi inspirada por Deus.

Ainda em 1969, o chefe da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (esse é o nome oficial dos mórmons) reafirmava desta forma essa convicção: “Nós acreditamos que a Constituição dos EUA foi inspirada divinamente, que foi redigida por ´homens sábios´ que Deus fez nascer para esse ´propósito específico´, que os princípios representados na Constituição são tão fundamentais e importantes que, se possível, deveriam ser estendidos para os direitos e a proteção de toda a humanidade”.

Mitt Romney, que foi missionário e depois também bispo mórmon, começou a adotar nos seus discursos os termos do excepcionalismo norte-americano, arrancando aplausos entusiasmados. Para um homem que mudou de opinião sobre uma série de questões, esse é um tema em que as suas convicções religiosas e políticas do seu partido coincidem perfeitamente, embora o excepcionalismo norte-americano tenha um história infeliz em terras estrangeiras.

O que quer que se possa esperar de uma presidência de Romney, certamente não faltará uma política externa mais enérgica e militarizada do que a buscada pelo presidente Obama.

Obama, o muçulmano

O presidente negro e o desafiante mórmon. O lado mais retraído dos EUA ainda suspeita que Barack Hussein Obama esconde a sua verdadeira fé muçulmana. Mas o lado mais tolerante dos EUA olha com desconfiança para aquele Mitt Romney que ostenta uma religião liquidada, muitas vezes vista como seita.

A questão é tão ardente que os adversários raramente aceitam falar sobre isso. Mas o fizeram para a Cathedral Age, a revista da Catedral Nacional de Washington, igreja-símbolo da unidade nacional, na primeira entrevista de uma série que irá apresentar reflexões sobre a fé nos EUA, a partir de proeminentes líderes do pensamento e indivíduos de diferentes origens ou perspectivas religiosas.

Se Dilma é considerada atéia ou agnóstica e o Lula frequenta terreiro espírita, a questão fundamental desse debate é, para além da liberdade religiosa, o limite entre fé e política. Se o diálogo entre fé e política pode ser muito salutar, o limite entre ambas, tênue e perigoso, quando ultrapassado, gera confusão e tem como consequência grave prejuízo à democracia e a propria liberdade religiosa. Ninguém quer ver um país sendo governado por bancadas evangélicas, católicas ou de qualquer outra religião. É claro que, tampouco, por bancada ruralista ou mensaleiros.

 

A reportagem é de Michael Sean Winters, publicada na revista Popoli, dos jesuítas italianos, Dom Total, 23-08-2012.

 

 

Fonte: domtotal

 

 

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